Colômbia

FARC questionam versão do Exército para morte de guerrilheiros em meio a cessar fogo

Dois guerrilheiros foram mortos nesta quarta-feira durante 'combate', diz Exército colombiano

Opera Mundi

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Plenária da 10ª Conferência das FARC-EP, a última da organização como grupo armado / Mariana Ghirello

As FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) pediram nesta quinta-feira (17/11) um pronunciamento oficial da Missão de Monitoramento e Verificação do acordo de paz entre a guerrilha e o governo colombiano sobre a morte de dois guerrilheiros no sul do departamento de Bolívar.

O chefe da equipe negociadora do governo colombiano, Humberto De La Calle, divulgou a informação sobre as mortes nesta quarta-feira (16/11) em entrevista à emissora Caracol Televisión. "Houve combates no sul de Bolívar. Morreram dois guerrilheiros que supostamente pertencem às FARC. O Ministério da Defesa diz que estes guerrilheiros estavam bastante distantes da zona de pré-agrupamento e que ali havia uma operação de caráter delinquencial. Acabo de falar com Iván Márquez [negociador das FARC], que sustenta que eles estavam a caminho da zona de agrupamento", declarou de la Calle.

Para ele, há uma "discrepância de narrativas" sobre as circunstâncias das mortes, mas "o que importa é a lição" de que o cessar-fogo bilateral entre governo e guerrilha "é frágil" e "não podemos demorar" a implantar o novo acordo de paz, assinado no último sábado (12/11).

De acordo com um comunicado do Exército colombiano, soldados na zona rural no município de Santa Rosa, em Bolívar, foram avisados pela comunidade sobre a "presença de pessoas armadas e uniformizadas" que realizavam "atividades ilícitas" como extorsão de motoristas e comerciantes. Os soldados iniciaram uma operação que produziu "combates", que levaram à morte de duas pessoas, que depois foram identificados como membros das FARC. Outro guerrilheiro teria se entregado às tropas e confessado as "atividades ilícitas", disse o Exército.

Segundo as FARC, os guerrilheiros foram atacados pelo Exército enquanto se encaminhavam às zonas de pré-agrupamento, para comparecer depois às áreas onde se concentrarão para o abandono de armas e a desmobilização, como previsto no acordo de paz entre a guerrilha e o governo.

Carlos Lozada, membro do Secretariado das FARC, se manifestou nas redes sociais pedindo esclarecimento sobre as mortes. “Urge pronunciamento oficial da Missão de Monitoramento e Verificação” dos acordos de paz, mecanismo integrado pelo governo colombiano, as FARC e a ONU, declarou Lozada, que também disse que a versão do Exército colombiano “carece de validez” e que a Missão “deve determinar circunstâncias” em que o fato ocorreu.

A Corporação Solidariedade Jurídica, organização que trata dos casos dos presos políticos das FARC, afirmou que o ataque a unidades da guerrilha consiste em "uma flagrante violação do cessar-fogo bilateral" e também pediu que a ONU realize uma investigação independente sobre o caso.

O governo colombiano e as FARC iniciaram um cessar-fogo bilateral no último dia 29 de agosto, após alcançar um primeiro acordo de paz que foi assinado em 26 de setembro e rejeitado em consulta popular no dia 2 de outubro.

Um novo acordo com os ajustes e modificações que pactuaram a partir das propostas dos grupos que se opuseram ao acordo inicial com a guerrilha foi assinado neste sábado (12/11) pelo governo colombiano e as FARC, mas ainda não foi implementado.