América Latina

Após quatro adiamentos, Haiti conclui eleições presidenciais

Resultado deve sair em até oito dias; votação ocorre com um ano de atraso

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Apuração das eleições ocorre após primeiro turno no domingo / Logan Abassi/ UN/ Minustah

O povo haitiano foi às urnas neste domingo (20) para escolher o novo presidente do país após quatro adiamentos da votação –em outubro de 2015, data na qual ocorreram originalmente as eleições, o processo foi anulado. O resultado do primeiro turno, que também incluiu votos para senadores e deputados, deve levar, segundo a autoridade eleitoral do país, no máximo oito dias para ser divulgado.

A última data prevista para a realização do pleito era nove de outubro de 2016. A passagem do furacão Matthew, entretanto, levou a mais um adiamento. O desastre representou a morte de 573 pessoas e o desaparecimento de outras 75. Além disso, 175 mil moradores das regiões sul e sudeste do Haiti permanecem em alojamentos provisórios, muitos dos quais também utilizados como zonas eleitorais.

Outro impacto da devastação também pode ter sobre as eleições é o fato de que diversos cidadãos perderam seus documentos. O Conselho Eleitoral Provisório (CEP) afirmou não saber quantas pessoas perderam seus papeis e não puderam votar.

Crise

O primeiro turno das eleições de 2015 foram marcadas por denúncias de corrupção. Uma onda de protestos se seguiu, levando à anulação do pleito e a convocação de novas votações.

O último presidente eleito, Michel Martelly, terminou seu mandato em 7 de fevereiro deste ano e foi substituído por Jocelerme Privert, senador que foi escolhido pelo Parlamento para ser presidente interino por três meses. Tal prazo se estendeu, já que, em meio a uma crise institucional, não houve condições para a realização da nova votação dentro da data.

As novas eleições ocorreram em um ambiente de normalidade. Apenas 43 pessoas foram detidas no país durante as votações realizadas neste domingo, de acordo com a polícia. A Organização dos Estados Americanos enviou 103 observadores ao Haiti, que anunciaram que o “processo se desenvolveu normalmente e sem violência”. As informações são do jornal Le Monde. A publicação francesa ainda relatou uma baixa presença de votantes no domingo. O voto no Haiti não é obrigatório.

Candidatos

De acordo com pesquisas eleitorais locais, quatro candidatos – entre 27 - tinham a preferência do eleitorado haitiano: Jovenel Moïse (PHTK), Jude Celestin (Lapeh), Moïse Jean Charles (Petit Dessalines) e Maryse Narcisse (Fanmi Lavalas).

Candidato da situação, Jovenel Moïse era desconhecido da população até o ano passado, quando o ex-presidente Martelly surpreendeu a todos e o lançou como seu candidato. Dono de grandes terras empregadas na produção de bananas comercializadas no mercado externo, principalmente na Alemanha

Jude Celestin é apoiado pelo ex-presidente Préval e por parte de candidaturas que se retiraram da disputa. Moïse e ele são apontados pelas pesquisas como favoritos.

Maryse Narcisse é médica e apoiada pelo ex-presidente Aristide. Moïse Jean Charles é ex-senador, representando uma legenda de esquerda. Parte de sua campanha se deu criticando a influência das potências estrangeiras sobre a política haitiana.

Se nenhum dos candidatos obter a maioria simples dos votos ou mais que 25 pontos à frente do segundo colocado, um segundo turno deve ocorrer. A previsão é que ele ocorra em 29 de janeiro de 2017.

Edição: Camila Rodrigues da Silva