CRIAÇÃO

Jovens se lançam no mercado criativo

Para ter roupas, brincos e outros produtos com “sua cara”, jovens do hip hop organizam seus próprios empreendimentos

Belo Horizonte

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A venda de produtos que eles próprios gostariam de comprar tem sido uma alternativa / Geometria

Para continuar fazendo seu trabalho e sua arte, muitos jovens encontram formas alternativas de arranjar um dinheiro. A venda de produtos que eles próprios gostariam de comprar tem sido uma alternativa. É o caso das lojas virtuais Peroni’ Store e Quem, que vendem acessórios voltados ao público hip hop. Ideias que já tem nome: economia criativa.

“Dentro da cultura hip hop as mulheres usam muitos brincos grandes, eu usava desde nova, mas é difícil achar brincos que têm relação com meu estilo e com características minhas, sabe? Não me identificava com o que via nas lojas”, conta a dançarina e professora de hip hop dance, Lola Peroni. A loja virtual de brincos, colares e pulseiras, que funciona através da página de Facebook Peroni’ Store, nasceu para suprir essa necessidade.

Lola aproveitou sua experiência do curso universitário de design, principalmente das disciplinas que trabalhavam com madeira, e colocou em prática a confecção de peças em MDF. Acessórios grandes ou pequenos, leves e coloridos. Hoje a loja atinge não só o público hip hop mas também pessoas ligadas à cultura afro e à moda, conta Lola.

A marca Quem também busca ampliar seu público, usando a estratégia de elaborar roupas que vestem crianças, jovens ou adultos. “Esses dias um rapaz comprou uma camiseta para o pai dele e depois respondeu dizendo que o pai gostou”, diz Suelen Sampaio, empreendedora da Quem junto com seu namorado Eduardo Bernardes. A marca começou com coleções de estampas de grafite, tentando contribuir para a desmarginalização da arte de rua. 

Criatividade ajudando na economia

Segundo a analista econômica Regina Vieira de Faria, esse tipo de empreendimento é considerado economia criativa. É aquela empresa que traz a cultura e a criatividade agregadas ao produto. “Não é uma camiseta qualquer, mas que traz uma forma de comportamento, um conceito. É diferente de uma camiseta que é uniforme de uma empresa”, explica.

A economia criativa aparece principalmente em negócios da música, artes, jogos, cultura, publicidade e arquitetura, diz Regina, e faz parte do setor de serviços, que cresce 10% a mais que os demais setores econômicos. Para Regina, que é também da Casa da Economia Criativa, os governos e instituições começaram a enxergar a área como propulsora de renda. O investimento dos últimos anos em políticas culturais é um incentivo direto na economia criativa, conta.

Para ver um empreendimento criativo dar certo, a dica de Regina é “planejar, planejar, planejar e ter muito foco”. Para isso, ela indica cursos no Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e no Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), que têm o objetivo de melhorar a gestão e a competitividade das empresas. Fora isso, a Casa da Economia Criativa, do Sebrae, é um ponto de apoio e de orientação para novos empreendedores criativos, na Rua Santa Rita Durão, 1275, Belo Horizonte.