Saúde pública

Consulado de Cuba é homenageado no RJ pelo Programa Mais Médicos

Solenidade proposta pelo vereador Leonel Brizola Neto reconheceu o trabalho dos médicos cubanos no país

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Medalha Pedro Ernesto foi concedida à Cônsul Geral de Cuba, Nélida Hernandez Carmona / Divulgação

Em meio às investidas do governo Michel Temer para desmontar o Programa Mais Médicos, uma solenidade realizada na Câmara Municipal do Rio de Janeiro caminhou na contramão, ao homenagear o trabalho de cubanos e cubanas no Brasil, na última quinta-feira (24). Na cerimônia, promovida pelo mandato do vereador Leonel Brizola Neto (Psol), a medalha de Mérito Pedro Ernesto foi entregue ao representante do programa no Rio, o médico Alexander Villanueva Palmero, e à Cônsul Geral de Cuba, Nélida Hernandez Carmona. A iniciativa contou com apoio da Associação Cultural José Marti (ACM-RJ) e do Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba.

"O programa teve uma grande ideia ao trazer profissionais cubanos para preencher as milhares de vagas abertas para lugares em que os médicos brasileiros não queriam ir. A formação socialista dos médicos cubanos humanizou o atendimento e criou um intercâmbio benéfico não só para a população carente, mas também para os próprios médicos e agentes de saúde brasileiros. A importância simbólica dessa medalha é oficializar o reconhecimento que o povo brasileiro teve desse trabalho que criou um marco histórico aqui, demonstrando o poder da medicina preventiva, humanizada e não mercantilista", explica o vereador Leonel Brizola Neto.

Desde que assumiu a presidência, Temer fala sobre um aumento dos investimentos no programa, porém, na prática, institui mudanças estruturais na iniciativa que trazem receios aos médicos participantes. “Houve atrasos no repasse das bolsas para tutores e supervisores de algumas unidades, além do corte da verba para internet, que era essencial para o acesso dos participantes aos curso de especialização online. O futuro do programa é incerto para nós”, explica o brasileiro Renato Santos, médico supervisor do Mais Médicos.

Além da problemática apresentada por Renato, o Ministério da Saúde anunciou neste mês a substituição de médicos cubanos, que são maioria no programa, por médicos brasileiros. De acordo com a pasta, o objetivo é substituir 4 mil profissionais estrangeiros por brasileiros no prazo de três anos. O número de cubanos cairia de 11,4 mil para 7,4 mil. No total, o Mais Médicos reúne atualmente 18.240 profissionais, 5.274 formados no Brasil, 1.537 com diplomas do exterior e o restante é formado por médicos cubanos.

No entanto, a bonificação de 10% oferecida aos brasileiros na nota das provas para residência médica foi extinta. Desde 2015, os selecionados podiam escolher entre o benefício ou a oferta de auxílio-moradia e alimentação na região para a qual fossem enviados.

“Isso é uma forma de desmantelar o programa. Diminuir investimento, tornar menos atrativo para médicos brasileiros e dispensar os cubanos vai acabar por deixar localidades sem atendimento. Temer está acabando com o Mais Médicos aos poucos”, ressalta Renato.

Para o supervisor Fabrício Brazão, o desmonte tem a ver com interesses corporativos. “Desde quando começou, o programa está sendo pressionado pelo Conselho Federal de Medicina e pelos médicos liberais porque fere aos interesses de mercado que a categoria tem com a profissão. É um lobby mesmo. O Mais Médicos mexeu não só na regulamentação do trabalho mas também com a formação médica nas universidades. Tem muitos interesses envolvidos para o seu desmonte”, acrescenta.

Desde que foi criado em 2013, o programa garantiu atendimento a 63 milhões de brasileiros que não contavam com atendimento médico. Dessa forma, os atendimentos pelo Saúde da Família passaram a atingir 134 milhões de pessoas.

“A atenção básica voltou a funcionar, houve uma diminuição nas internações porque as pessoas estão sendo tratadas antes da doença se transformar em um caso grave. É um avanço muito importante e seria maior ainda se o programa continuasse com a mesma força, mas o futuro é incerto”, conclui Renato.