Alimentação

Alimento é saúde | Cuidados com o consumo de carne

Carne processada industrialmente tem impactos sobre a saúde humana e a natureza

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Este ano a Fundação Heinrich Böll lançou a publicação "Atlas da Carne: fatos e números sobre os animais que comemos" / Ellen Stockmar

Em outubro de 2015, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, da Organização Mundial da Saúde, avaliou o potencial cancerígeno do consumo de carne vermelha e de carnes processadas.

Depois de fazer uma revisão exaustiva da literatura científica, um Grupo de Trabalho de 22 especialistas de 10 países, classificou o consumo de carne vermelha como provavelmente cancerígeno para os humanos.

Confira o programa Alimento é Saúde, da Radioagência Brasil de Fato (para baixar o arquivo, clique na seta à esquerda do botão compartilhar):

A associação foi observada principalmente com o câncer que se desenvolve no intestino grosso e no reto, mas também há evidências sobre o câncer de pâncreas e o de próstata.

O que isso significa? Segundo Kurt Straif, chefe do programa que conduziu o estudo, o risco de desenvolver esses tipos de câncer é pequeno consumindo carne processada, mas esse risco aumenta com a quantidade consumida”.

Ele afirma que o estudo confirmou que as carnes processadas produzem maiores riscos em termos de saúde.

O estudo não conseguiu diferenciar entre os subtipos de carne processada ou pelos possíveis contaminantes que possam conter.

Mas a própria OMS tem advertido sobre o uso indiscriminado de antibióticos no setor de criação animal. Na indústria da carne, os antibióticos são empregados para que os animais resistam às condições em que vivem até serem abatidos.

Embora a União Europeia tenha proibido a prática em 2006, não conseguiu reduzir significativamente o seu uso nas granjas. Estima-se que na China os animais criados em currais recebam mais de 100 mil toneladas de antibióticos a cada ano, a maioria sem monitoramento.

Nos Estados Unidos, a produção pecuária consumiu 13 mil toneladas de antibióticos até 2009, o que representa quase 80% de todos os antibióticos utilizados no país.

O uso imprudente de antibióticos na produção de gado, aumenta o problema da resistência das bactérias. “Superbactérias” (agentes patogênicos como a salmonella) podem surgir destes problemas.

O que é pode ser feito? Muitas organizações civis e movimentos de agricultores estão reivindicando um sistema agrícola e alimentar diferente do industrial – que respeite tanto as pessoas como os animais.

A recomendação da OMS é reduzir o consumo principalmente das carnes processadas, mas também das carnes vermelhas, em até 70 gramas por dia. Para isto, é preciso garantir ter uma fonte de proteínas diárias de fontes vegetais, como lentilhas, feijão ou grão-de-bico.

O consumo de frutas, vegetais, grãos, nozes também reduz os riscos de doenças cardíacas.

Leia o Atlas da Carne: Fatos e números sobre os animais que comemos

Edição: Juliana Gonçalves