MOVIMENTOS SOCIAIS

Pelo povo, pela terra e por uma nova sociedade

O MST existe desde a década de 1980 e tem como um das principais pautas a transformação da sociedade

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Após invasão pela Polícia Federal à Escola Nacional Florestan Fernandez, em novembro de 2016,foi realizado um ato em solidariedade ao MST.
Após invasão pela Polícia Federal à Escola Nacional Florestan Fernandez, em novembro de 2016,foi realizado um ato em solidariedade ao MST. | Crédito: Após invasão pela Polícia Federal à Escola Nacional Florestan Fernandez, em novembro de 2016,foi realizado um ato em solidariedade ao MST.

Era final da década de 1970, no contexto da intensificação das contradições do modelo agrícola, quando houve a primeira ocupação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Centenas de agricultores ocuparam as granjas Macali e Brilhante, no Rio Grande do Sul. Tendo como objetivos a luta pela terra, a luta pela reforma agrária e a luta pela transformação, desde então, o movimento está organizado em 24 estados do país. São cerca de 350 mil famílias assentadas, a partir da organização e da luta.

Cristiane Albuquerque faz parte da Direção Estadual do Movimento em Pernambuco e mora no Assentamento Josias e Samul, em Glória do Goitá, há 9 anos. “Entrei no movimento em 2000, quando fui fazer um estágio vivência, através da Escola Agrotécnica Federal. Fiquei novembro e dezembro no estágio e em janeiro eu já fazia parte do movimento. Dentro do MST eu vi que a luta vai para além de exigir políticas públicas. Aprendi o significado da mística, a importância da formação política nas organizações sociais, sendo essa a base de sustentação de uma organização política”, conta Cristiane.

A principal forma de entrada no movimento, no entanto, são as ocupações de terra. “A partir do trabalho de base, as famílias são convidadas para de organizarem e lutarem pelo acesso à terra”, explica Cristiane. Nos acampamentos e assentamentos, as famílias assentadas e acampadas organizam-se em núcleos para discutirem as necessidades de cada área. Os coordenadores e as coordenadoras do assentamento ou acampamento saem destes núcleos. Essa estrutura se repete nos níveis estaduais e nacional, sempre garantido a paridade de gênero. Ou seja, uma mulher e um homem assumindo as instâncias de decisão. Os Congressos Nacionais, que acontecem a cada cinco anos, são o maior espaço de decisões do MST.

Em Pernambuco, o MST chegou por volta de 1986, a partir de algumas ocupações em Suape. A coordenadora do Centro de Formação Paulo Freire do MST, Joelma Martins, conta que a ocupação não deu certo e as famílias foram despejadas. Não foi motivo para que a luta das famílias parasse. “Depois fomos para Floresta, no sertão, e ocupamos algumas áreas. Viemos para o Agreste e na ocupação da (fazenda) Normandia firma o pé do MST em Pernambuco. Era 1993 e essa era uma área importante para o estado, pois representava o latifúndio de forma muito forte. Somente em 1996 Normandia foi desapropriada. Em 1995, mais de 2 mil famílias ocupam a Fazenda Safra e formam o assentamento Safra. Essa é uma ocupação expressiva, pois foi a primeira ocupação do São Francisco”, explica Joelma.

É em Normandia, município de Caruaru, que fica localizado Centro de Formação Paulo Freire, do qual Joelma é coordenadora. Diversos cursos de formação acontecem no espaço durante todo o ano, como explica a coordenadora: “sem formação não temos como manter nossa militância e nosso quadros dirigentes. Precisamos produzir conhecimento e continuar na luta. O Pé no Chão é o principal curso de formação política da base. Por meio dele, conseguimos atingir novos integrantes do movimento que ainda não tinham formação. Temos também uma série de outros cursos intensivos e mais aprofundados”.

As conquistas em Pernambuco são grandes e os desafios também. “Mais 16 mil famílias estão assentadas em Pernambuco. Mas, cerca de 15 mil ainda estão acampadas e temos o desafio de que sejam assentadas. Além disso, é preciso desenvolver todos os assentamentos, trabalhar com base na agroecologia e avançar no aumento da produção de alimentos saudáveis, para que as famílias possam viver ainda melhor”, observa Joelma.

Continuar fortalecendo o MST se coloca necessário na conjuntura brasileira, de acordo com Cristiane, que acrescenta: “Como o MST é um dos maiores movimentos socais do Brasil, a tendência é que seja criminalizado, numa tentativa de enfraquecê-lo. Os movimento sociais e toda a sociedade tem o papel de ser ferramenta de sustentação do MST. Se o MST acaba é uma derrota para toda a esquerda. É preciso que as pessoas entendam que o movimento luta pela reformar agrária popular, que respeita e beneficia toda a sociedade, e que é uma movimento revolucionário, pautando a transformação da sociedade”.

Editado por: Redação

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