Feminicídio

‘Nenhuma Débora a Menos’, ato pede justiça a jovem assassinada

Marcado para domingo, às 14h no Masp, ato denuncia feminicídio que vitimou a militante feminista, Débora Soriano

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Com apenas 23 anos, Débora foi brutalmente violentada e assassinada; deixa dois filhos pequenos. / Arquivo Pessoal

Nesta sexta-feira, as redes sociais informavam sobre mais uma mulher estuprada e morta, vítima do crescente violência de gênero que acomete o país.

Débora Soriano, 23 anos, militante da área de juventude e feminista, foi assassinada e teve seu corpo encontrado na própria sexta-feira.

Há quatro anos, Débora se filiou a União da Juventude Socialista ( UJS) e se destacava com sua "alegria e garra", segundo Claudia Rodrigues, presidente da União Brasileira das Mulheres (UBM) em São Paulo.

A entidade está chamando o ato marcado para este domingo, junto a outros grupos e coletivos feministas e de juventude. “Queremos mais uma vez, denunciar o feminicídio; alertar a todas e todos de que o estupro, o assassinato, as agressões físicas contra as mulheres devem acabar, por serem, ainda no século 21, produtos de um sistema que considera a mulher como propriedade, coisa, parte subalterna da força de trabalho masculina, destinada à escravidão doméstica e a servir de objeto sexual”, pontua Claudia.

A morte de Débora é mais uma história de um cenário aterrador: No Brasil, a taxa de feminicídio é de 4,8 para 100 mil mulheres – a quinta maior no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os desdobramentos do homicídio de Débora ainda seguem em segredo de justiça. “Acompanharemos de perto o caso e exigiremos a pena devida ao violador assassino”, finaliza a coordenadora estadual a UBM.                       

Notas de solidariedade

A UBM, juntamente com a UJS, soltou nota sobre os acontecimentos. A Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres da cidade de São Paulo também se posicionou e por meio de nota afirmou que “se junta à indignação das mulheres e movimentos sociais, e se dispõe a todo apoio necessário e possível no acompanhamento da apuração desse crime hediondo”.

Leia na íntegra abaixo.

Do luto a luta! 

Nenhuma Débora a menos!

Foi com imenso pesar e indignação que recebemos a notícia da morte da jovem Débora Soriano. O machismo ceifou a vida de mais uma de nós, diante de um poder público que pouco ou nada faz para combater a violência patriarcal. Débora era uma jovem mulher de 23 anos, com a vida toda pela frente, cheia de sonhos e expectativas, mas que foi brutalmente violentada e assassinada. Débora acreditava em uma sociedade melhor e mais justa, irradiava alegria de viver e esperança em um mundo novo, para ela e seus dois filhos pequenos.

Nos solidarizamos com a família neste momento de dor e despedida e exigimos dos órgãos responsáveis que este crime bárbaro seja esclarecido e o autor, rigorosamente punido. Não admitimos que os crimes contra as mulheres continuem sendo secundarizados e esquecidos pelas autoridades. Nós não esqueceremos!

A morte trágica de Débora reforça a necessidade de políticas públicas para as mulheres, para que não precisemos mais nos despedir de nenhuma de nós desta maneira.

Por isso, convocamos a todas as mulheres a se somarem a nós neste domingo 18 de dezembro, as 14h na Paulista por Débora e por todas as mulheres que morrem vítimas do machismo e do feminicídio.

União Brasileira de Mulheres

União da Juventude Socialista

Nota de pesar e luta

A Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres da cidade de São Paulo manifesta sua revolta e tristeza com a notícia da morte da jovem Débora Soriano, que foi violentada e morta.

A SMPM busca, em sua atuação, combater cotidianamente a violência contra as mulheres. Contudo, sabemos que a realidade ainda é extremamente desigual e injusta para todas nós. O machismo mata!

Para combater essa realidade é fundamental a continuidade de mais políticas que priorizem a vida das mulheres! É papel também do Estado, combater todos os dias o machismo e a violência contra as mulheres!

A SMPM se junta à indignação das mulheres e movimentos sociais, e se dispõe a todo apoio necessário e possível no acompanhamento da apuração desse crime hediondo. Prestamos toda a nossa solidariedade à família de Débora nesse momento tão difícil e doloroso.

A militância, força, luta e coragem de Débora, e de todas as mulheres, não será em vão!

Edição: Juliana Gonçalves