Mortes

Temer relativiza responsabilidade do Estado no massacre de Manaus

Após dias em silêncio, peemedebista se manifestou em reunião com núcleo institucional do governo

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Para peemedebista, fato do Compaj ter sido privatizado diminui responsabilidade dos entes públicos sobre o caso / Valter Campanato/ Agência Brasil

Michel Temer (PMDB) rompeu o silêncio que mantinha desde a morte dos 56 presos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), localizado em Manaus (AM). O presidente não eleito relativizou o papel dos entes públicos no segundo maior massacre da história do sistema carcerário brasileiro, já que a unidade era privatizada. A declaração foi dada na manhã desta quinta-feira (5).

A fala do peemedebista ocorreu na abertura da reunião do núcleo institucional do governo, onde Alexandre de Moraes (PSDB), ministro da Justiça, apresentaria o plano de segurança elaborado por sua pasta aos demais integrantes do gabinete de Temer.

Responsabilidade

Após manifestar sua solidariedade às famílias das vítimas do que chamou de “acidente pavoroso”, Temer diminuiu a responsabilidade estatal sobre as mortes, mesmo que os agentes públicos do governo do Amazonas, segundo ele, estivessem munidos de “dados e acompanhamentos”.

“Em Manaus, o presídio era terceirizado, privatizado. Não houve uma responsabilidade muito objetiva e clara dos agentes estatais”, afirmou.

Mais prisões

Temer anunciou medidas, na esfera federal, em relação ao sistema penitenciário. A aposta do governo segue sendo o reforço do encarceramento.

O peemedebista lembrou o repasse bilionário aos estados com o objetivo de que, ao menos mais uma prisão seja construída por unidade federativa.

Anunciou também a construção de cinco novos presídios federais, sem prazo de início e conclusão de obras. Segundo o próprio Temer, a medida também demandaria uma cifra bilionária.

Histórico

Em 1º de janeiro (domingo), um conflito entre as facções rivais Família do Norte (FDN) e Primeiro Comando da Capital (PCC) no Compaj terminou com 56 detentos mortos, a maioria deles decapitada. Além das mortes, a rebelião resultou em 112 foragidos, conforme informou a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM).

Segundo o advogado Glen Wilde do Lago Freitas, membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem de Advogados do Brasil (OAB), a rebelião já era esperada pelo estado do Amazonas, já que a facção local (FDN) ameaçava a facção paulista (PCC) há mais de um ano.

O Compaj está localizado no km 8 da BR-174, que liga Manaus (AM) a Boa Vista (RR), e tem capacidade para 454 detentos, mas 1.229 presos abrigavam o local no momento do conflito - o triplo da sua capacidade.

Edição: José Eduardo Bernardes