Segurança pública

Assaltos viram rotina no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro

Turistas e moradores de um dos principais bairros turísticos do Rio de Janeiro estão assustados

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Bairro histórico e turístico do Rio de Janeiro sofre com aumento da violência / Foto: divulgação

Moradores de Santa Teresa, bairro turístico localizado entre a zona sul e a região central da cidade do Rio de Janeiro, denunciam aumento da violência e falta de segurança na região. Junto com os turistas da alta temporada chegaram também os assaltantes. O bairro cultural, pitoresco, com arquitetura histórica atrai milhares de pessoas todos anos, que chegam no charmoso Bondinho de Santa Teresa.

O fluxo turístico chama a atenção dos bandidos, segundo o delegado do bairro, Orlando Zaccone. “Os turistas chegam com câmeras, celulares valiosos e estão desavisados dos perigos de roubos. São alvos fáceis, pois Santa Teresa não conta com a mesma estrutura de segurança de outros bairros turísticos, como Copacabana, por exemplo. E o morador acaba sofrendo também, em consequência disso”, explica o delegado que assumiu o comando da 7ª. Delegacia de Polícia Civil nos primeiros dias de janeiro.

Outra razão do aumento da violência, segundo Zaccone é pela opção que o governo do Estado do Rio de Janeiro fez por direcionar um grande contingente de policiais para a Unidades de Polícia Pacificadora. “Tivemos um investimento grande para colocar muitos policiais dentro das favelas. A UPP da Rocinha chegou a ser o terceiro maior batalhão do estado do Rio de Janeiro. Isso foi possível porque foi retirado o policiamento de outros bairros. Se quiser ver policial em Santa Teresa tem que ir na favela do Fallet”, afirma o delegado.

Isso, aliado a crise econômica do país e do governo do Rio de Janeiro, contribui para o aumento da violência em todo o estado.

A dona de casa Marli Soares, moradora do bairro há mais de 40 anos, afirma que tem sido cada vez mais comum os relatos de roubos e assaltos. “Há 4 anos a gente não via tamanha insegurança em Santa Teresa. Semana passada um morador foi assaltado na rua André Cavalcante, onde mora, e na mesma semana homens armados entraram na sua casa e assaltaram”, diz Marli Soares.

Nas redes sociais moradores relatam roubos e assaltos quase diariamente. As ruas mais citadas são Monte Alegre, Ladeira do Castro, André Cavalcante, Ladeira Santa Teresa, Joaquim Murtinho, entre outras.

O maior número de denúncias de acordo com o delegado Orlando Zaccone é de assalto a pedestre e a carros, feito por criminosos que chegam caminhando ou em moto. Outra modalidade de crime que tem se tornado comum são os arrastões em bares e restantes.

O problema está sendo discutido pela Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa (AMAST), segundo informou o seu presidente Paulo Saad. “Sábado teremos uma reunião para discutir essa questão da segurança com a nova chapa da associação, que foi empossada em dezembro. Posteriormente, queremos nos reunir com o comandante do 5º. Batalhão da Polícia Militar (BPM), com o delegado da Polícia Civil e a administração regional da prefeitura do Rio e buscar ações conjuntas”, destacou o presidente da AMAST.

Para o Carnaval, quando o bairro multiplica o número de visitantes, a AMAST planeja solicitar dos órgãos públicos de segurança e administrativos um operativo que inclui as polícias militar, civil, guarda civil, conselho tutelar, empresa de recolhimento de lixo e representantes dos blocos de carnaval do bairro. “Há anos Santa Teresa organiza seu carnaval dessa maneira. Inclusive somos pioneiros. Depois que a gente reivindicou esse tipo de planejamento, começamos a fazer isso de forma conjunta, o modelo foi adotado em outros bairros”, informou Paulo Saad, que já foi presidente da AMAST em outras épocas.

Orlando Zaccone também concorda que é preciso uma ação conjunta, tanto em datas como o Carnaval, quanto no dia a dia do bairro. “Precisamos de mais policiamento ostensivo da PM, mas também de ações preventivas como aquelas feitas em outras cidades turísticas ao redor do mundo, que alertam turista para o perigo de roubo em certas áreas. Isso é feito em Barcelona e Paris, por exemplo, onde a administração pública cola cartazes e placas nos pontos críticos. No Brasil, esse tipo de aviso é visto como uma vergonha pelas autoridades que não resolvem o problema, mas essa medida pode salvar vidas”, ressalta Zaccone.

O Brasil de Fato entrou em contato com o comando geral da polícia militar do Rio de Janeiro para saber quais medidas estão sendo tomadas para solucionar o problema. A assessoria de imprensa da PM informou que o policiamento de Santa Teresa é feito de forma ostensiva pelo 5° BPM (Praça da Harmonia) através de rondas de viaturas e de motos pelo período de 24 horas.

“O comando informou que está atento ao patrulhamento da região e que intensificou as rondas noturnas com o apoio de viaturas recém-chegadas ao batalhão. A unidade também tem feito operações nas regiões adjacentes e acessos ao bairro. É importante ressaltar que a região possui duas Unidades de Polícia Pacificadora – uma no Fallet/Fogueteiro e outra na comunidade que reúne as favelas dos morros dos Prazeres, Escondidinho, Coroa - e uma Companhia Policial que fica no Largo dos Guimarães”, esclarece a PM. A assessoria de imprensa afirmou ainda que a polícia “vai continuar trabalhando com o intuito de reduzir ações criminosas na localidade e vai readequar, sempre que necessário, o planejamento operacional na região”.

Homicídios aumentaram 36% em novembro

Apesar de Santa Teresa ser um dos bairros turísticos mais vulneráveis do Rio, não é o único. A violência aumentou em outros pontos da cidade e também do estado, segundo informações do Instituto de Segurança Pública (ISP), ligado à Secretaria de Segurança do governo estadual.

Os últimos dados sobre violência letal, divulgados em novembro de 2016, mostram que foram registradas 461 vítimas de homicídio doloso (quando há intenção de matar) no estado do Rio de Janeiro, representando um aumento de 36,5%, em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado dos onze meses de 2016, foram registradas 4.572 vítimas, o que representa um aumento de 754 mortes, ou 19,7% a mais, em relação ao mesmo período de 2015 (entre janeiro e novembro).

Edição: José Eduardo Bernardes