Festa

Bloco traz história da Rússia para o carnaval de Belo Horizonte

Sua origem vem também da insatisfação com a política no Brasil

Belo Horizonte

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Lançamento aconteceu na última terça (17) no Centro da capital mineira / Fernando Barbosa e Silva

Os foliões de Belo Horizonte já estão acostumados a blocos diferentes. O Pena de Pavão de Krishna, com suas pessoas azuis, o Alcova Libertina, com o rock’n roll em pleno carnaval… e para a lista dos extravagantes entra mais um: o “Vermelhim”. Lançado em 17 de janeiro, o bloco comemora os 100 anos da revolução socialista russa. Todo dia 17, às 17h, o grupo se apresenta na Praça Sete, na capital mineira.

O repertório é feito por músicas curiosas, como o hino da Internacional Comunista, “Senhores, patrões, chefes supremos / Nada esperamos de nenhum (…) Façamos nós por nossas mãos / Tudo que a nós nos diz respeito”, e o tradicional “Unidos Venceremos”, mas em ritmo de samba enredo. Hits famosos também ocupam a seleção, como “Coração Vermelho”, de Fafá de Belém.

Para José Guilherme Castro, carnavalesco e um dos precursores do Vermelhim, o bloco pode ser classificado como uma “resistência ofensiva”. “Nós vamos tocar músicas de luta”, diz. “A ideia é formar um grupo musical de qualidade e fazer a disputa estética da arte”, anima-se. A origem do bloco vem também da insatisfação com a política no Brasil, daí a importância da “resistência com alegria, felicidade”, defende José Guilherme.

Circuito de eventos

A organização do bloco é feita pela Associação José Martí, que realiza neste ano o Circuito Revolução. Para junho está programada a 23ª Convenção de Solidariedade a Cuba, em outubro lembram-se os 50 anos do assassinato do guerrilheiro Ernesto Che Guevara e em dezembro a comemoração dos três anos da libertação dos cinco heróis cubanos, que ficaram presos em uma cadeia norte-americana por 16 anos. 

O que foi a Revolução Russa? 

Em 1917 a Rússia foi palco da maior revolução do século XX, com a implantação do primeiro governo socialista da história. Inúmeras políticas de redução da miséria e da desigualdade mudaram a realidade dos trabalhadores não só na União Soviética, mas em todo o mundo.