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Amazônia tem carnavais que vão além de blocos, escolas de samba e trios elétricos

A folia de Momo reflete a diversidade de cada estado que forma a Amazônia Legal

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Fofão: símbolo do carnaval maranhense / Secretaria de Turismo do Maranhão

No país inteiro o ritmo do carnaval já tomou o povo, mas nem só de desfiles de escolas de samba, trios elétricos e baladas é feita a festa. O carnaval é uma cultura diversa e colorida, o calendário é cheio de eventos com sons, danças e folclores únicos. 

Na região da Amazônia, a cultura regional é influenciada por povos indígenas e negros. A folia de Momo reflete a diversidade de cada estado que forma a Amazônia Legal.

Os tradicionais blocos maranhenses com as máscaras e cores do Fofão, os bailes acrianos que reúnem várias gerações, os desfiles de fantasias, as brincadeiras de Entrudo são exemplos.

Em Mato Grosso, um dos blocos mais conhecidos e diferentes é o dos Caretas de Guiratinga. O bloco surgiu em 1948.

Na época, o carnaval era feito para a elite em clubes. Com a vontade de um grupo de fazer parte das folias e ironizar os mais ricos, surgiu a ideia de sair com máscaras nas ruas, tradição que permanece até hoje.

Um dos organizadores do bloco, Eduardo da Silva Carvalho, conta como são feitas as máscaras. 

"Na época, eles faziam umas máscaras de papelão. Eram máscaras confeccionadas com inspiração em bichos, desenhavam nelas os bichos, como gato, cachorro, vaca. Aí veio vindo de geração em geração, isso começou com meu avô, meus tios, meu pai, agora eu e meu irmão que estamos dando seguimento no bloco. Agora a gente está fazendo outro modelo de molde, passa pela argila e envolve vários processos", explica.

Como qualquer boa festa, a maior parte da alegria vem da música mas se engana quem pensa que só de samba, axé e frevo vive um carnaval. No Pará, a tradição é o carimbó.

O ritmo surgiu no litoral do estado como brincadeira de roda de um grupo indígena e tanto a música quanto a dança tem o nome por conta do tambor curumbó.

O carimbó anima várias gerações como explica o fundador do grupo Sancari, Lucas Bragança. 

"É a nossa cultura, é isso que a gente sabe fazer. Apesar de termos outros ritmos, que também não deixam de ser importante, mas para nós que vivenciamos essa cultura, para nós é importante cada vez mais divulgar a nossa cultura, por isso é importante dialogar com as pessoas sobre isso", conta.

Outra comemoração típica de carnaval é a brincadeira do Boi-à-serra, encontrada especialmente no município de Santo Antônio do Leverger, em Mato Grosso.

O bumbá sai durante a noite pelas ruas da cidade arrebatando pessoas para a folia, embalada ao som de bumbos, surdos, caixas e ripiques. 

O presidente do grupo folclórico Boi Pantaneiro, Leandro Oliver, se sente orgulhoso em chamar a cultura do Boi de sua. 

"Eu me sinto muito feliz de participar do grupo, de mexer com essa tradição que meus pais, meus tios e irmãos mais velhos participaram. E eu agora estou aqui como presidente do grupo e passando essa tradição para frente", se orgulha.

Para quem curte a festa de Momo, opções não faltam, é só escolher o ritmo e a fantasia e brincar o carnaval até tudo se acabar na quarta-feira, como cantava o poetinha.

Edição: Radioagência Nacional