EDITORIAL

Editorial: 8 de Março é dia de Luta

Desde 1917 a data marca a luta das mulheres no mundo inteiro

Recife (PE)

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No Recife cerca de 15 mil mulheres tomaram as ruas contra o machismo e o patriarcado. / Fran Silva

Há mais de 100 anos, na Segunda Conferência Internacional de Mulheres Socialistas em 1910, foi decidido organizar o dia internacional pela libertação das mulheres. No 8 de março de 1917 as mulheres russas saíram às ruas pedindo pão, paz e terra. Elas foram responsáveis pelo início de um processo de transformação no país e no mundo todo. Desde então o 8 de março se tornou o dia Internacional de Luta das Mulheres.

Há muitos anos tentam apagar a história de luta do 8 de março, entregando flores, chocolates, presentes. As mulheres não querem presentes. Querem igualdade! Igualdade de salários, as mesmas oportunidades na política, que os maridos, filhos e companheiros dividam o peso do trabalho doméstico e do cuidado com os filhos.

Esse 8 de março foi marcado por lutas, manifestações, ocupações e resistência em todo o mundo. Movimentos feministas internacionais organizaram campanhas e mobilizações nas redes sociais, convocando as mulheres para irem às ruas lutar por seus direitos, com a hashtag #EuParo.

No Brasil, as lutas, mobilizações e ocupações aconteceram em 22 estados e no Distrito Federal. No campo e na cidade as mulheres se unificaram em torno de pautas políticas e históricas do movimento feminista. A luta pelo fim da violência, contra o racismo, machismo e homofobia, pela descriminalização do aborto, pelo direito à vida e liberdade de todas as mulheres, além da visibilidade das especificidades da situação das mulheres encarceradas. Este ano a luta contra a Reforma da Previdência, chamada também de "Reforma da Morte", ganhou destaque em todos os atos, de norte a sul do país.

A Reforma da Previdência vai aumentar o tempo de contribuição e a idade das mulheres se aposentarem, desprezando as diferenças de gênero, de raça e da desigualdade regional.

Em Pernambuco foram mais de 15 cidades mobilizadas com ocupações na sede da Previdência Social e no INSS. Protagonizada pelas mulheres camponesas, que serão as mais atingidas caso a Reforma da Morte seja aprovada pelo Congresso Nacional. Foram mais de 10 mil camponesas pernambucanas mobilizadas para barrar essa reforma. Essa luta faz parte da Jornada Nacional de luta das Mulheres do MST, que tem como tema "Estamos todas Despertas! Contra o Capital e o Agronegócio! Nenhum Direito a Menos!"

No Recife, com gritos de ordem “A previdência é Nossa, Ninguém tira ela da Roça” e “Aposentadoria fica, Temer Sai”, 700 mulheres ocuparam a sede da Previdência Social. A intervenção fez ecoar nas ruas a indignação e denunciou o que significa reformar a previdência. “Sabe o que isso significa? Morrer de trabalhar. Sabe o que isso significa? Trabalhar 49 anos sem parar. Sabe o que isso significa? A jornada de trabalho aumentar. Sabe o que isso significa? Não se aposentar”.

Na parte da tarde mais de 15 mil mulheres tomaram as ruas com o tema “As mulheres vão parar: contra a Reforma da Previdência; pelo fim do racismo, pelo fim da violência contra as mulheres; pela legalização do aborto; por uma nova política de drogas”. Eram mais de 15 mil vozes gritando "Fora Temer".

Reafirmamos que 8 de março é dia de luta! Estamos na rua pra lutar por um projeto feminista e popular!

Edição: Monyse Ravenna