Editorial

Milhares de mulheres dizem não à reforma da Previdência

Mulheres cobram que trabalho não remunerado seja dividido com os homens

Belo Horizonte

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150 mil mulheres se mobilizaram no Brasil / Laísa Campos

Nesta semana, foi celebrado o Dia Internacional das Mulheres, o 8 de Março. O dia foi instituído em 1910 como um marco da luta feminista, em que as mulheres se organizam, reivindicam direitos e discutem a necessidade de transformar a sociedade, marcada pelo machismo, pela violência, exploração, opressão e desigualdades salariais.

Em todo o mundo, houve grandes manifestações, que levaram milhares às ruas. Neste ano, duas grandes bandeiras foram escolhidas para unificar as ações. A primeira foi a do trabalho. O reconhecimento do serviço doméstico e de cuidados como trabalho é pauta histórica do movimento feminista. A mulheres querem que essas funções, não remuneradas, sejam divididas com o Estado – a partir de creches, lavanderias e restaurantes públicos – e com os homens. Outra questão é a superação das desigualdades salariais e de direitos no mercado de trabalho.

A outra bandeira é a do combate à violência contra a mulher. A violência que as mulheres sofrem pelo simples fato de serem mulheres continua sendo um dos instrumentos do machismo para manter a dominação sobre suas vidas, seja no âmbito do espaço privado, que é a casa e a família, seja no espaço público, nas ruas, no trabalho etc.

Protestos

No Brasil, mais de 150 mil mulheres do campo e da cidade se engajaram em manifestações. Além das pautas internacionais, as brasileiras criticaram a reforma da Previdência proposta pelo governo não eleito de Michel Temer. Caso aprovada, a reforma provocará um verdadeiro desmonte do sistema de Previdência Social. Para as mulheres, pode significar o aumento na idade mínima para a aposentadoria, que passará para 65 anos. No caso das trabalhadoras rurais, haverá o aumento de 10 anos para a aposentadoria. 

Essas medidas desconsideram que as mulheres ainda assumem outras jornadas para além do emprego formal. Sem contar que a presença feminina no mercado formal é muito mais inconstante que a dos homens, o que faz com que  elas estejam em massa no trabalho informal e mal remunerado.

Em Minas Gerais, as mulheres fizeram bonito neste 8 de Março. Elas tomaram as ruas de BH, Montes Claros, Juiz de Fora, Uberlândia, São João Del Rei e em outras cidades do estado. Além dos atos, outras ações foram promovidas, como a ocupação da agência da Previdência Social no Centro de BH, que deu o recado de que as mulheres irão defender a Previdência até o fim, pois ela é uma das grandes conquistas do povo brasileiro. 

 

Edição: Joana Tavares