Editorial

O FGTS e as medidas insuficientes de Temer

Para analistas, a medida pode servir para a transferência de recursos para bancos privados

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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As medidas que aqueceriam a economia exigem a reativação da indústria brasileira / Rovena Rosa/Agência Brasil

O governo Temer (PMDB) promove medidas insuficientes para reativar a economia. Uma delas é a permissão de retirada dos recursos inativos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), na esperança de injetar R$ 30 bilhões na economia em crise. Isso porque, em 2017, a expectativa é de crescimento negativo da economia e aumento do desemprego.

Alguns economistas analisam que a medida pode servir como transferência de recursos para os bancos, uma vez que as pessoas devem usá-los para cobrir suas dívidas. Com isso, perde-se a função do fundo: uma economia futura do trabalhador, liberada após mais de três anos de desemprego, aposentadoria, doença grave ou para construção da casa própria.

Recursos do fundo também são investidos em moradia e saneamento. Desde 2008, por exemplo, foram injetados R$ 426 bilhões em infraestrutura. Isso revela a atual falta de prioridade do governo em combater problemas profundos do país.

As medidas que aqueceriam a economia exigem a reativação da indústria brasileira. Para isso, por exemplo, é necessário recuperar o papel de investimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a distribuição de terras para produção no campo – exatamente o contrário do que Temer está fazendo

 

Edição: Brasil de Fato PR