Aposentadoria

Relator da reforma da Previdência diz que manifestações não tiveram "apoio popular"

Arthur Maia afirmou que protestos, que reuniram mais de 1 milhão de pessoas, não mudam "absolutamente nada"

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Manifestação na Avenida Paulista nesta quarta (15) reuniu cerca de 300 mil pessoas contra a reforma da Previdência / Ricardo Stuckert

Horas após as manifestações que reuniram mais de 1 milhão de pessoas por todo o Brasil nesta quarta-feira (15), o deputado federal Arthur Maia (PPS-BA) disse que os protestos de rua não "mudam absolutamente nada" em sua relatoria da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287.  Relator da Comissão Especial da Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, Maia afirmou a jornalistas que os protestos não tiveram "relevante apoio popular".

"A gente sabe que quem fez essa manifestação, quem está patrocinando essa manifestação são setores que historicamente foram contra a reforma da Previdência. Portanto, do ponto de vista da cabeça do relator, isso não muda absolutamente nada", disse.

As manifestações contra a reforma da Previdência ocorreram em ao menos 19 capitais brasileiras e diversas categorias, como professores e metroviários, paralisaram suas atividades durante todo o dia. O Dia Nacional de Mobilização Contra a Reforma da Previdência iniciou antes das 7h da manhã, com a ocupação do Ministério da Fazenda, em Brasília (DF), por 2 mil trabalhadores do campo e da cidade. Somaram-se à ação manifestantes que realizavam uma caminhada da Catedral até o local. Segundo os organizadores, o ato contou com 20 mil pessoas.

Em São Paulo (SP), o ato reuniu 300 mil pessoas na Avenida Paulista. As manifestações foram organizadas pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, com articulação das centrais sindicais. Os educadores da rede pública estadual e municipal da capital paulista permanecem em greve contra a proposta até o dia 26 de março.

Mesmo com a grande mobilização pelo país contra as alterações no sistema previdenciário e da aposentadoria, que tiveram um público amplo e diverso, o relator questionou os atos e afirmou que proposta será aprovada pelo Legislativo. "A reforma passará. Agora, naturalmente, como todas as reformas previdenciárias que já aconteceram neste país, todas sofreram alterações, aperfeiçoamentos. Esta não será diferente", disse.

As manifestações podem atrapalhar o plano do governo e da base aliada em aprovar a PEC 287 ainda no primeiro semestre deste ano. Movimentos populares e as centrais sindicais prometem protestos ainda mais massivos até o dia da votação da proposta no Congresso Nacional.

Edição: José Eduardo Bernardes