Machismo

Isa Penna (PSOL) relata agressão do vereador Camilo Cristófaro na Câmara (PSB) de SP

Vereadora afirma que Cristófaro tentou empurrá-la e a chamou de "vagabunda, terrorista"

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Isa Penna explicou que o episódio aconteceu quando ela estava a caminho do subsolo do prédio da Câmara / Reprodução/ Facebook

Em meio ao cumprimento dos 30 dias de um "mandato feminista" na Câmara de São Paulo, durante a licença do vereador Toninho Vespoli (PSOL), a advogada e vereadora Isa Penna (PSOL) foi agredida verbalmente e ameaçada pelo também vereador Camilo Cristófaro (PSB). O episódio aconteceu na noite de ontem (16), em um elevador privativo dos parlamentares na Câmara da cidade.

Em conversa com o Brasil de Fato, Isa Penna explicou que o episódio aconteceu quando ela estava a caminho do subsolo do prédio da Câmara, para a reunião de construção de uma audiência pública sobre a rede de proteção das mulheres. "Uma ironia", nas palavras de Penna. Ao entrar no elevador, ela se deparou com o vereador Cristófaro. "Ele já estava me encarando com uma cara estranha, mas, como eu já tinha feito aquela fala no dia anterior, eu já estava aguentando muita gente me olhando feio", contou.

A fala que a vereadora menciona se trata de sua primeira exposição no Plenário da Câmara, na quarta-feira (15), na qual disse  "que a Câmara Municipal de São Paulo está distante de representar os reais interesses da população, e que tudo lá é negociado", além de denunciar a reforma da Previdência.

Dentro do elevador, após cumprimentar o vereador, as agressões verbais começaram. Entre os termos e frases, Penna menciona: "vagabunda", "terrorista"; "você chega aqui achando que tem algum poder, mas não tem poder nenhum"; "depois, não vai ficar surpresa se, andando pela rua, você tomar uns tapas"; "eu vou pedir sua cassação"; "você está me desafiando?". "Ele ficava toda hora querendo reforçar que eu não era nada", conta a vereadora feminista.

Ao chegar no seu andar, Penna saiu do elevador e Cristófaro foi atrás. "Ele fez menção de me empurrar. Eu considero a intimidação uma agressão", conta. "Ele só não me empurrou porque eu dei um passo para trás, senão teria empurrado".

A vereadora, então, se encontrou com sua assessoria e foi para o departamento da Polícia Militar na Câmara, onde foi colhido o depoimento da ascensorista do elevador, presente no momento das agressões e que confirmou as denúncias da vereadora.

Isa Penna ainda conta que o episódio é reflexo de um quadro maior. Em especial neste momento no qual a vereadora ocupa o cargo do vereador Toninho Vespoli (PSOL) por 30 dias, com o objetivo de impulsionar políticas que atendam as pautas das mulheres, "o machismo está presente no cotidiano", afirma.

"A gente sabe que o número de mulheres na Câmara mais do que dobrou este ano, e a reação dos homens brancos, ricos, herterossexuais, que são hegemônicos na política, é a de tentar nos intimidar. Azar o deles. Não vão conseguir", conclui Penna.

De acordo com  informações da assessoria do PSOL, a vereadora e os assessores ainda estão tentando conseguir acesso às imagens para que sejam usadas como prova, além do depoimento da ascensorista, na Delegacia de Defesa da Mulher. "Acredito que a gente vai conseguir. O presidente Milton Leite (DEM) se comprometeu de que, até o final do dia, teremos o vídeo em mãos", contou Penna.

Até a conclusão da matéria, o Brasil de Fato não recebeu retorno da assessoria do vereador Camilo Cristófaro.

Edição: José Eduardo Bernardes