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Estardalhaço midiático sobre a carne deixa dúvidas e dá para desconfiar

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A reação internacional veio logo em seguida e poderá colocar em risco as exportações brasileiras / Arquivo/Tânia Rêgo/Agência Brasil
O Brasil, por sinal, é o maior exportador de carne no mundo

A semana começa, como sempre tem acontecido de uns tempos para cá, muito movimentada. Os jornalões e telejornalões dão espaço muito grande para denúncias na área do consumo de carne, denúncias que, segundo se informa, já eram conhecidas há tempos pela Polícia Federal. Uma pergunta automática e que não quer calar: se a saúde de consumidores das carnes corre riscos, porque tanto tempo para ser divulgado? Por que só agora e com estardalhaço redobrado? A reação internacional veio logo em seguida e poderá colocar em risco as exportações brasileiras, que provocam contrariedade entre concorrentes europeus e estadunidenses. O Brasil, por sinal, é o maior exportador de carne no mundo.

Há informações segundo as quais muito interesses estão em jogo e pode estar se repetindo o que já aconteceu com o café brasileiro quando empresas estadunidenses produtoras do café solúvel se sentiam incomodadas com o café nacional. Fizeram uma campanha pesada para que continuassem com os lucros do café solúvel e abocanhassem o café brasileiro in natura. Tal fato circula em sites da internet, mas naturalmente não foram divulgados na mídia comercial conservadora, que prefere priorizar o escândalo não totalmente esclarecido. Muitos fatos viraram verdades absolutas mesmo antes de serem comprovados. Para contentamento de grupos internacionais que sentem incômodo com a presença da carne brasileira na concorrência.

Trump

Enquanto isso, o Presidente Donald Trump falou por telefone com o verme golpista Michel Temer, que não foi eleito e ocupa a Presidência da República de forma ilegítima. Trump fez questão de elogiar as reformas incrementadas por este governo e, segundo a assessoria do verme, congratulou-se com o fato de que a economia brasileira está se recuperando. É o papo corrente no esquema de uma mentira repetida inúmeras vezes acaba virando verdade.

Assim caminha este governo usurpador, agora tentando demonstrar serviços ao Presidente dos Estados Unidos. Segundo o noticiário divulgado, Temer e Trump falaram também sobre a Venezuela. Não seria de se estranhar se Temer demonstrasse que com a nomeação do Ministro Aloysio Nunes Ferreira, o presidente estadunidense deveria se sentir tranquilo, pois encontra no continente latino-americano um pau para toda a obra. Deve ter sido a forma encontrada pelo ilegítimo Temer para apagar de vez o constrangimento produzido com o pronunciamento anterior de Nunes Ferreira queimando o filme de Trump.

Agora, mais ainda, o Ministro do Exterior precisa demonstrar serviço a Trump. Em outras palavras: Aloysio Nunes Ferreira vai querer demonstrar concretamente que Trump, ou seja lá quem estiver na Casa Branca pode ficar despreocupado que terá um aliado incondicional para o que der e vier. Ele já demonstrou em outras ocasiões grande disposição nesse sentido.

O que está em jogo verdadeiramente, e a conversação telefônica foi apenas uma etapa, é que o governo que se diz brasileiro demonstrará a todo instante que seguirá com afinco tudo que Washington desejar. Nesse sentido, como sempre, conta com o apoio da mídia comercial conservadora, que em tempos anteriores também acenou com a mesma história de subserviência aos interesses econômicos norte-americanos.

Denúncia contra Prefeito carioca

No mais, em âmbito municipal, há uma grave denúncia que na prática atenta contra a liberdade de imprensa. É preciso investigar a fundo a denúncia segundo a qual o jornal O Dia demitiu o jornalista Caio Barbosa a pedido do Prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, que se diz bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus. O motivo, segundo Caio Barbosa, foi porque Crivella não gostou de matéria escrita pelo jornalista sobre o atendimento nos postos de saúde em função do surgimento de casos relacionados com a febre amarela em matas do Rio de Janeiro. Barbosa relata o que viu, ou seja, "filas, mau atendimento e falta de informação" em diversos postos de saúde da capital carioca.

É mais do que urgente que se investigue com profundidade e confirmando-se a denúncia o caso deve ser levado às instâncias internacionais. É o caso de checar como reagirão entidades useiras e vezeiras em se dizerem defensoras incondicionais da liberdade de imprensa. É importante enfatizar que sempre se deve ir a fundo em denúncias de um modo geral, sobretudo as que dizem respeito ao desrespeito a profissionais de imprensa. Procedendo dessa forma tira-se os argumentos dos denunciados de que já se conclui uma informação antes mesmo de checá-la, como procede de um modo geral a mídia comercial conservadora com os estardalhaços correntes.

Com a palavra a diretoria do Sindicato de Jornalistas do Rio de Janeiro e da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). O que não pode acontecer é que a denúncia fique por isso mesmo, ou seja, que predomine o silêncio constrangedor favorecendo o patronato denunciado.

* Mário Augusto Jakobskind é jornalista, integra o Conselho Editorial do Brasil de Fato no Rio de Janeiro, escritor e autor, entre outros livros, de Parla - As entrevistas que ainda não foram feitas; Cuba, apesar do Bloqueio; Líbia - Barrados na Fronteira e Iugoslávia - Laboratório de uma nova ordem mundial.