Direitos Humanos

Refugiados apontam moradia como maior problema enfrentado em São Paulo

Por não conhecer local ou cultura, refugiado acaba pagando aluguel mais caro

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Refugiados do Congo e de outras nacionalidades que vivem no Rio se unem na torcida pela equipe de judocas de refugiados, na sede da Cáritas
Refugiados do Congo e de outras nacionalidades que vivem no Rio se unem na torcida pela equipe de judocas de refugiados, na sede da Cáritas - Tânia Rêgo/Agência Brasil

Refugiados moradores da capital paulista apontaram o alto preço do aluguel como o maior problema enfrentado por eles em São Paulo.

Além dos preços, eles também mencionaram dificuldades para cumprir as exigências das imobiliárias para assinar o contrato. É o caso da necessidade de fiador ou adiantamento de pagamentos. Os dados são da ACNUR, a Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados no Brasil.

Com isso, os refugiados acabam indo morar em favelas e assentamentos informais em condições muito precárias. Muitos acabam também pagando aluguéis muito altos porque não conhecem o local nem a cultura, não sabem falar o idioma e podem sofrer daquele preconceito de que o estrangeiro tem que pagar mais.

No levantamento realizado pela ACNUR, os refugiados apontaram preços de aluguel mensal de até 900 reais para morar em um quarto compartilhado com outras cinco pessoas.

A representante de ACNUR no Brasil Isabel Marquez ressalta que os refugiados e as refugiadas ficam mais expostos à exploração, à detenção, ao assédio e à discriminação. Também são as principais vítimas da violência sexual e de gênero, e até do contrabando humano.

O número de refugiados no Brasil é de aproximadamente 10 mil pessoas. Desse total, 25% são mulheres. Na cidade de São Paulo, os refugiados somam mais de 3 mil pessoas.

Atualmente há cerca de 30 mil solicitações de refúgio ao Brasil, o que representa um crescimento de 2.800% nos últimos 5 anos.

Edição: Daniela Stefano