Celebração

Movimento palestino e Povo Sem Medo convocam ato contra homenagem a Temer em SP

"Não é a comunidade árabe que homenageia Temer e sim um setor privilegiado da elite", diz liderança palestina

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Michel Temer discursa durante jantar a aliados no Palácio da Alvorada / Beto Barata/PR

O Mopat (Movimento Popular Palestina Para Todos), a Frente Povo Sem Medo e outras organizações da sociedade civil articulam, na noite desta segunda-feira (10), uma manifestação contra o presidente golpista, Michel Temer, em São Paulo. Temer se encontrará com membros da comunidade árabe no Clube Monte Líbano, nas imediações da avenida Ibirapuera, zona sul da cidade.

Os 650 empresários pagaram cerca de R$ 500 para participar do evento, que em sua divulgação é chamado de “Homenagem da coletividade líbano-brasileira ao Presidente da República” e contará também com a presença do governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmim. Em contraponto, os movimentos populares organizam o "Rolezinho no jantar do golpista".

“A manifestação é organizada por setores árabes descontentes, principalmente da Palestina, que não concordam com o golpe que foi dado aqui no Brasil, e setores que estão na luta contra a perda de direitos e as políticas implementadas pelo governo Temer”, afirma Hassan Zarif, militante do Mopat.

Segundo ele, é importante passar o recado para os que estiverem presentes no evento de que “não é a comunidade árabe que homenageia o Temer e sim um setor privilegiado da elite, da burguesia brasileira e árabe e que os trabalhadores estão na rua contra Temer e contra as reformas”, completa.

Refugiados no Brasil

O texto de divulgação do evento nas redes sociais também aponta para a maneira como a política brasileira tem tratado a questão dos refugiados advindos de países árabes e relaciona a violência sofrida por árabes na Palestina, Síria e em outros países em conflito, com a violência sofrida nas periferias das cidades brasileiras.  

Hassan aponta que há uma dificuldade ainda maior para a chegada de sírios e palestinos que vieram da guerra síria, mesmo com a resolução que facilita o visto humanitário.

“Agora a burocracia aumentou na embaixada brasileira no Líbano, o que está dificultando a retirada de vistos e a vinda deles para o Brasil. É com certeza uma porta mais fechada para os imigrantes nesse governo Temer”, afirma.

O membro do Mopat lembra ainda que existe “uma clara aproximação militar dos governos brasileiro e israelense”. Segundo Zarif, “não adianta defender o território palestino contra os ataques de Israel e aqui no Brasil apoiar um governo golpista, favorável às políticas sionistas”.

Palestina

A revisão do voto do Brasil na ONU em relação ao patrimônio cultural nos territórios palestinos também é um claro sinal da recente aproximação entres os governos do Brasil e de Israel, segundo Hassan Zarif. Ele lembra também que outro sinal foi a nomeação do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, e do diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Janér Tesch Hosken Alvarenga: “duas pessoas ligados diretamente ao estado de Israel”, aponta. “A nomeação do presidente do Banco Central foi, inclusive, noticiada nos jornais israelenses antes dos brasileiros, antes da própria nomeação, obviamente comemorando um homem forte do governo de Israel no governo brasileiro”, diz o membro do Mopat.

Edição: Vanessa Martina Silva