São Paulo

Movimentos populares realizam ato contra ataques políticos dos EUA à Venezuela

Mobilizações, que também ocorreram em outros países da região, condenam posição da OEA contra governo Maduro

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Movimentos sociais realizam ato diante do Consulado da Venezuela, em São Paulo / Fotos: Nathan Singham 

Diversos movimentos populares se reuniram, nesta quarta-feira (19), em São Paulo, diante do consulado venezuelano para manifestar apoio à defesa da revolução bolivariana, liderada pelo presidente do país, Nicolás Maduro. Também foram realizadas ações por articulações ligadas à Alba Movimentos nos consulados da Venezuela em Recife e Vitória.

Cidadãos de Cuba, Colômbia, Argentina, El Salvador, Porto Rico e Uruguai também se manifestaram em apoio à nação caribenha. Os atos ocorrem em meio às agressões políticas e econômicas realizadas pelo governo dos Estados Unidos e outros países aliados.

Nesse contexto, jovens, ativistas, acadêmicos e trabalhadores brasileiros se uniram para se somar ao apoio continental dado ao país vizinho.

“A solidariedade com a Venezuela hoje é para construir um sentido de internacionalismo. A Venezuela é um grande exemplo de transformação e protagonismo do povo no processo de transformação social na América Latina. E hoje, o país enfrenta ataques cotidianos internacionalmente. É por isso que os movimentos populares estamos aqui”, afirmou ao Brasil de Fato Rodrigo Suñe, representante do Levante Popular da Juventude.

Ingerência

O apoio regional coincide com as novas declarações do Departamento de Estado dos Estados Unidos e do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (OEA), Luis Almagro, que manifestaram, nesta terça-feira (18), “preocupação” com a atual situação do país.

Assim, os manifestantes brasileiros apresentaram um documento oficial a diplomatas venezuelanos no qual denunciam a recente campanha “intervencionista, ilegal e pró-imperialista” realizada contra a Venezuela por parte da OEA e Almagro, que segue com o esforço para invocar a “Carta Democrática” da organização para suspender o país do bloco.

Papel da OEA

Historicamente, a OEA tem sido acusada por vários governos regionais de estar excessivamente influenciada pela política exterior estadunidense.

O nível de influência dos Estados Unidos sobre a orientação política da organização fica evidente na questão de apoio financeiro. De acordo com um informe do Serviço de Investigação do Congresso de 2014, os Estados Unidos são o maior doador da organização. Em 2013, contribuiu com quase U$ 65,7 milhões, equivalentes a 41% do orçamento total da OEA para 2013.

Alternativas

Nos últimos 15 anos, surgiram vários mecanismos de integração regional, como a Aliança Bolivariana para os Povos da América Latina (Alba), a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que se formaram com o objetivo de fortalecer a soberania nacional e regional.

Tais organizações funcionam como alternativas a iniciativas como a OEA, a Comunidade das Nações Andinas (CAN) e o grupo da Aliança do Pacífico, que historicamente têm atuado de acordo com os objetivos de política exterior dos EUA.

Edição: Vanessa Martina Silva