Solidariedade

Organizações dos EUA lançam manifesto em apoio à greve geral no Brasil

"Nos solidarizamos com o povo brasileiro que hoje sai às ruas contra os retrocessos do governo Temer", afirmam

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

,
Em Recife, manifestação reúne 50 mil pessoas em dia de greve geral, segundo organizadores / Társio Alves Fotografia

Organizações sociais dos Estados Unidos lançaram um manifesto em apoio à greve geral no Brasil, que acontece nesta sexta-feira (28) mobilizando mais de 35 milhões de trabalhadores, que paralisaram este dia de trabalho. A carta é assinada, inicialmente, pelo Brazilian Expats for Democracy and Social Justice, de Washington, DC; pelo Defend Democracy in Brazil, de Nova York; pelo BRADO, também de Nova York; e pelos Amigos do MST nos Estados Unidos.

"Nós, professores, estudantes, profissionais, sindicatos e outros, representantes da sociedade civil organizada, movimentos sociais e de coletivos internacionais organizados contra o golpe, defendemos o Direito de revolta contra a tirania e a opressão, como condição para a existência de uma sociedade harmônica, justa e solidária", expressam no documento. Ainda é salientado que "defendemos, também, o Direito de Greve como pilar indispensável ao Princípio do Não-Retrocesso Social e nos solidarizamos com o povo brasileiro que hoje sai às ruas contra os retrocessos impostos ao país pelo governo não-eleito de Michel Temer."

Leia na íntegra o manifesto (inglês/português/espanhol):

MANIFESTO SUPPORTING THE GENERAL STRIKE IN BRAZIL

"It is essential, if man is not to be compelled to have recourse, as a last resort, to rebellion against tyranny and oppression, that human rights should be protected by the rule of law"

 

This quote from the Universal Declaration of Human rights synthesizes the essence of the Right to Resistance or Rebellion as a historical condition for the emergence, existence, maintenance, development, and evolution of modern Democratic States abiding by the rule of law

 

We, professors, students, professionals, unions, and others - representatives of organized civil society, social movements and international collectives organized against the coup, defend the right of rebellion against tyranny and oppression as a condition for the existence of a harmonious, just, and solidary society. We also defend the Right to Strike as an indispensable pillar of labor laws and show our solidarity with today’s protest on the retrograde labor reforms imposed upon the country by the unelected government of Michel Temer.  

 

We repudiate the aforementioned attacks on labor rights such as the rights to a dignified retirement and to strike, which were conquered through popular struggle. We also strongly repudiate the oppression of protesting workers by the unelected government of Michel Temer.  We believe that the refusal of payment for days off, threats to job security, or any other kind of retaliation against the strike is equivalent to obstructing the exercise of this fundamental right.  The attack on the Right to Strike removes from workers the ability to fight for the fundamental objectives of the Federal Republic of Brazil (Article 3 of the Brazilian Constitution) which are the construction of a free, just, and solidary society, the guarantee of national development, the eradication of poverty and marginalization, the reduction of social and regional inequalities, and the promotion of general welfare without prejudice of origin, race, sex, color, age or any other forms of discrimination.

 

TO STRUGGLE IS NOT A CRIME! LONG LIVE THE STRUGGLE OF THE WORKERS!

 

Initial Signatories:

 

Brazilian Expats for Democracy and Social Justice - Washington, DC

Defend Democracy in Brazil - NY

BRADO - NY

Friends of MST - U.S.

Portuguese and Spanish version below:

—-



MANIFESTO DE APOIO À GREVE GERAL NO BRASIL



"É essencial a proteção dos direitos do Homem através de um regime de direito para que o Homem não seja compelido, em supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão"

Este trecho da Declaração Universal de Direitos Humanos sintetiza a essência do Direito de Resistência ou Rebelião como condição histórica para o surgimento, existência, manutenção, desenvolvimento e evolução dos Estados Democráticos de Direito modernos. 

Nós, professores, estudantes, profissionais, sindicatos e outros, representantes da sociedade civil organizada, movimentos sociais e de coletivos internacionais organizados contra o golpe, defendemos o Direito de revolta contra a tirania e a opressão, como condição para a existência de uma sociedade harmônica, justa e solidária. Defendemos, também, o Direito de Greve como pilar indispensável ao Princípio do Não-Retrocesso Social e nos solidarizamos com o povo brasileiro que hoje sai às ruas contra os retrocessos impostos ao país pelo governo não-eleito de Michel Temer.

Repudiamos os reiterados ataques aos direitos trabalhistas conquistados através da luta popular, em especial, o direito à aposentadoria digna e justa e à greve. Também  repudiamos fortemente a repressão exercida pelo governo não-eleito de Michel Temer contra os trabalhadores em luta. Entendemos que retirar do trabalhador e da trabalhadora a remuneração pelos dias não trabalhados, ameaçá-lo de demissão ou qualquer outra forma de retaliação em função da greve equivale a inviabilizar o exercício deste Direito Fundamental, configurando um ataque contundente ao núcleo essencial de sua existência. Atacar o Direito de Greve equivale a retirar do povo e dos trabalhadores sua capacidade de se rebelar na luta pelos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil (Art. 3º da Constituição) em: construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; e promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. 

LUTAR NÃO É CRIME! VIVA A LUTA DOS TRABALHADORES!

Signatários Iniciais:

Brazilian Expats for Democracy and Social Justice - Washington, DC

Defend Democracy in Brazil - NY

BRADO - NY

Friends of MST - U.S.

MANIFIESTO DE APOYO A LA HUELGA GENERAL EN BRASIL

 

"Considerando esencial que los derechos humanos sean protegidos por un régimen de Derecho, a fin de que el hombre no se vea compelido al supremo recurso de la rebelión contra la tiranía y la opresión”

 

Este pasaje de la Declaración Universal de los Derechos Humanos sintetiza la esencia del Derecho de Resistencia o Rebelión como condicionante histórico para el surgimiento, existencia, manutención, desarrollo y evolución de los Estados Democráticos de Derecho modernos.

 

Nosotros, maestros, estudiantes, profesionales, sindicatos y otros, representantes de la sociedad civil organizada, movimientos sociales y de los colectivos internacionales organizados en contra del golpe, defendemos el derecho a la rebelión en contra de la tiranía y de la opresión como condición para la existencia de un sociedad armónica, justa y solidaria. Defendemos, también, el Derecho a la Huelga como pilar indispensable al Principio del No-Retroceso Social y nos solidarizamos con el pueblo brasileño que hoy sale a las calles en contra de los retrocesos que se imponen al país por el gobierno no-electo de Michel Temer.

 

Rechazamos los reiterados ataques a los derechos laborales conquistados a través de la lucha popular, en especial, el derecho a la jubilación digna y justa y a la huelga. También rechazamos fuertemente la represión ejercida por el gobierno no-electo de Michel Temer en contra de los trabajadores en lucha. Entendemos que al quitarle al trabajador y la trabajadora la remuneración por los días no trabajados, amenazarlos de cese del empleo o cualquier otra manera de retaliación en función de la huelga equivale a inviabilizar el ejercicio de este Derecho Fundamental, configurando un ataque contundente al núcleo esencial de su existencia. Atacar el Derecho de Huelga equivale a retirar del pueblo y de los trabajadores su capacidad de rebelarse en la lucha por los objetivos fundamentales de la República Federativa de Brasil (Art. 3º de la Constitución) en: construir una sociedad libre, justa y solidaria, garantizar el desarrollo nacional, erradicar la pobreza y la marginalización y reducir las desigualdades sociales y regionales, y promover el bien de todos, sin discriminación de origen, raza, sexo, color, edad y cualesquiera otras maneras de discriminación.

 

¡LUCHAR NO ES CRIMEN! ¡VIVA LA LUCHA DE LOS TRABAJADORES!  

 

Firmantes Iniciales:

 

Brazilian Expats for Democracy and Social Justice - Washington, DC

Defend Democracy in Brazil - NY

BRADO - NY

Friends of MST - U.S.

Edição: Vivian Fernandes