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Sebastião Dirnei e a utopia que brota do chão da fábrica

Espírito coletivo fez dele uma referência entre os vizinhos e colegas de trabalho

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Sindicalista tenta manter o otimismo diante da conjuntura desfavorável. “A gente não pode baixar a guarda” / Daniel Giovanaz

Sebastião Dirnei Fagundes trabalhou na lavoura desde cedo no município de Antônio Olinto, no Sudeste paranaense. Conviveu com a miséria e a segregação social. Aos 52 anos, ele está convicto de que a união dos trabalhadores é o único caminho para conquistar direitos e reduzir desigualdades.

A mudança para Curitiba aconteceu em 1987. Depois de trabalhar em um posto de gasolina e em uma empresa de terraplanagem, Sebastião foi contratado pela montadora automobilística Volvo para integrar o setor de especificação de pneus. Nos próximos meses, ele completa 28 anos de chão de fábrica e 18 como representante dos trabalhadores.

Em 1989, Sebastião foi eleito para uma comissão de fábrica independente, que permitia reivindicar direitos e debater condições de trabalho – hoje, a comissão está vinculada ao Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC).

Sebastião levou para a comissão de fábrica e para o sindicato sua experiência como líder comunitário. Uma das referências da ocupação urbana no Sabará, região Sul de Curitiba, na década de 1980, ele relembra com carinho as principais conquistas da comunidade – água encanada, luz, asfalto, serviços de transporte e correios –, e espera em breve regularizar os lotes junto à Prefeitura.


“Não tem outro caminho. E, olhando para trás, eu posso dizer que essa luta vale a pena


Para o sindicalista, dentro e fora da fábrica, os valores necessários para a luta são os mesmos: “Entrar numa associação ou num sindicato deve ser uma escolha, primeiro, por vontade de representar os trabalhadores, e segundo, pelo coração. É uma questão de inteligência, mas também de se doar pelo outro”. Ele admite que a conjuntura é desfavorável, mas não há espaço para pessimismo. “Temos um governo [federal] que não pensa nos mais pobres, mas é justamente por isso que a gente não pode baixar a guarda”.

De olhos marejados, Sebastião conclui que é momento de ajudar os colegas desempregados, oprimidos de várias formas pelo sistema econômico, e aproveitar o momento para fortalecer a coletividade: “Não tem outro caminho. E, olhando para trás, eu posso dizer que essa luta vale a pena”.

Edição: Ednubia Ghisi