1º de Maio

Discurso de Temer esconde essência da reforma trabalhista, diz sindicalista

Para presidente da CUT-DF, dia é reforçado pela insatisfação popular com reformas trabalhista e previdenciária  

Brasil de Fato | Brasília (DF)

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Em paralelo ao discurso, mobilizações em todo o Brasil denunciavam os retrocessos da reforma / ASCOM - VPR

Neste 1º de maio, dia em que trabalhadores de todo o mundo saem às ruas para relembrem as lutas trabalhistas e comemorem as conquistas obtidas ao longo de anos de lutas, o presidente golpista Michel Temer divulgou um vídeo afirmando as “inúmeras vantagens” da reforma trabalhista para o trabalhador, e que o país estaria iniciando “uma fase em favor do emprego”. O peemedebista se referiu à reforma como uma “modernização” da legislação, acrescentando que a medida tende a ampliar a geração de empregos.

No entanto, para o presidente da Central Única dos Trabalhadores do Distrito Federal (CUT-DF), Rodrigo Brito, o discurso seria uma armadilha discursiva arquitetada para enganar os trabalhadores que têm menos acesso à informação e que por isso desconhecem os detalhes da reforma.

“Na verdade, só faz com que o trabalhador tenha um aumento da jornada de trabalho, redução de salários, contratação mais precarizada, e burla as convenções coletivas existentes hoje. Isso não vai gerar novos empregos. Vai acabar com os empregos que hoje têm garantias de direitos, colocando eles numa situação de subcontratação. Quem ganha com isso é só o empresariado, que vai ter um aumento do seu lucro”, expôs o dirigente durante o ato na capital federal em que se celebrava o Dia do Trabalhador. 

Brito destacou ainda que a Greve Geral, realizada na última sexta-feira (28), mostrou o estado de alerta em que estaria a classe trabalhadora brasileira, abrindo caminho para mobilizações ainda mais amplas.

“Nosso balanço é de que o terreno está fértil e temos que continuar dialogando com os trabalhadores e reforçando ainda mais a luta nas trincheiras contra as temerosas reformas contra a classe trabalhadora”, avaliou o dirigente.

Ato

Trabalhadores de diversas categorias se reuniram nesta segunda-feira em Brasília para celebrar o Dia do Trabalhador e engrossar o coro contra as medidas de austeridade do governo golpista de Michel Temer. Debates, apresentações culturais e informes políticos integraram a programação, organizada no entorno da Torre de TV de Brasília pela CUT-DF e pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

Nas rodas de conversa e no palco, duas pautas dominavam as preocupações do público presente: as reformas trabalhista, aprovada no último dia 27 na Câmara Federal; e a da Previdência, que tramita atualmente na mesma casa legislativa.   

Prestes a ingressar no mercado de trabalho, a universitária Lívia Cairos cultiva uma preocupação especial com a reforma trabalhista. A medida estabelece a prevalência da negociação coletiva sobre a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em 15 pontos diferentes, que vão do banco de horas anual à prorrogação de jornada em ambientes insalubres, sem necessidade de licença prévia do Ministério do Trabalho.

“É uma contrarreforma porque, se fosse reforma mesmo, seria boa, e não é”, critica a estudante, acrescentando que o momento político pede uma maior articulação em prol da manutenção dos direitos historicamente conquistados no país.

“Este é um governo que só quer prejudicar a juventude, por isso temos apoiado a greve dos professores, dos trabalhadores, e estivemos presentes também na greve geral. (…) Se a gente não mobilizar a classe trabalhadora, mais precarizações virão de agora em diante”, completa a estudante secundarista Raquel Gomes, que também participou das atividades. 

Mulheres

Um dos destaques da programação no DF foi uma tenda armada especificamente para debater com o público os direitos das mulheres no atual contexto político. A reforma da Previdência, por exemplo, altera de 60 para 62 anos a idade mínima que as mulheres precisam ter para requerer a aposentadoria junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Para os segmentos populares, a medida desconsidera as diferenças de gênero ainda existentes, penalizando as mulheres, que, quando acumulam atividades no mercado de trabalho com serviços domésticos, assumem dupla ou tripla jornada.

Presente no ato desta segunda-feira, a professora universitária Jaqueline Coelho destacou que esse tipo de iniciativa comprova que os direitos da categoria ainda não estariam plenamente consolidados, sendo os primeiros a sofrerem ataques nos contextos de crise.

Além disso, Coelho salienta que este 1º de maio de 2017 teria um caráter “emblemático”, pelo fato de ocorrer num momento em que as mulheres têm fortalecido a luta por direitos, somando-se à massa de trabalhadores que hoje batalham para evitar retrocessos ainda maiores no país.  

“Tivemos um 8 de março [Dia Internacional da Mulher] de união, com forte presença feminista, num ato grande em todos os estados, e viemos de uma greve geral que mostrou a que veio, com uma força surpreendente. Esse 1º de maio vem pra complementar essas lutas e mostrar que a gente tem mais força quando está unido”, afirmou a militante.

Edição: Luiz Felipe Albuquerque