GREVE GERAL

Comissão de Direitos Humanos pode acionar MP sobre violência policial em ato no Rio

Comissão da Alerj reúne dados que podem provocar a abertura de uma ação civil pública pelo Ministério Público

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Momento em que polícia alveja bombas de gás contra manifestantes que criticavam mudanças no INSS e na CLT / Tomaz Silva/Agência Brasil

Desde a greve geral e os protestos realizados na última sexta-feira (28), relatos e vídeos que mostram manifestantes sendo agredidos pela Polícia Militar do Rio de Janeiro não param de ser divulgados nas redes sociais. Um dos vídeos mais vistos mostra uma mulher sendo arrastada por PMs. Diante de tanta repercussão, a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) decidiu reunir relatos e documentos, principalmente imagens de celulares, que registraram os excessos da atuação dos policiais. A intenção é cobrar do governo do estado uma explicação sobre a conduta da PM.  

O ato, convocado pelas centrais sindicais e movimentos populares contra as reformas propostas pelo governo golpista de Michel Temer (PMDB), estava marcado para as 16h, na Cinelândia. Às 16:30 já começaram a chegar as primeiras informações de forte repressão policial. Milhares se reuniam na Cinelândia, em frente à Câmara Municipal, quando houve confronto entre alguns manifestantes e a polícia, que reagiu com gás de pimenta e bombas, gerando um corre-corre que dispersou a multidão.

"Estamos na fase de coleta de relatos, vídeos e fotos. Depois vamos analisar a gravidade dos acontecimentos e ver se cabe uma ação administrativa ou se acionamos o Ministério Público para apurar as denúncias", explica o coordenador da comissão, Antônio Pedro Soares. Fotos, vídeos e relatos que mostrem excessos da polícia podem ser enviados para esta página criada pela Comissão.

Soares afirma que a Comissão de Direitos Humanos, que é presidida pelo deputado estadual Marcelo Freixo (Psol), terá uma posição definida sobre as medidas que serão adotadas até o final desta semana.

Relatos de violência

Um dos casos mais graves de manifestantes feridos no ato do dia 28 de abril foi o da bibliotecária Lúcia Santos, que caminhava pela Rua 13 de Maio, no Centro, em direção à manifestação da Cinelândia quando foi atingida por uma bala de borracha no pescoço. Lúcia passou por uma cirurgia, levou 21 pontos, mas já está se recuperando e passa bem.

"Apesar de tudo, estou bem e otimista. Devido à minha crença espiritual, não gosto de alimentar sentimentos como revolta, mas ainda sinto uma tristeza enorme por ver o quão primitiva nossa sociedade ainda é. Isso não quer dizer passividade nem simples aceitação das arbitrariedades, pelo contrário! Devemos sempre lutar pela justiça e verdade", escreveu em suas redes sociais.

Segundo o presidente estadual da Central Única dos Trabalhadores (CUT-RJ), Marcelo Rodrigues, o objetivo da polícia do governo de Luiz Fernando Pezão (PMDB) não era conter possíveis vandalismos, mas atacar os trabalhadores que protestavam. "A PM agrediu manifestantes e promoveu uma caça a trabalhadores desarmados em um protesto pacífico", relatou.

Nem as autoridades escaparam da repressão policial. Diversos parlamentares, entre eles Jandira Feghalli (PCdoB), Flávio Serafini (Psol) e Zeidan (PT) estavam no palco da Cinelândia quando foram alvejados por bombas de efeito moral. Já o deputado federal Glauber Braga (Psol) foi atingido por uma bala de borracha na perna, disparada por um PM. Ele postou uma foto com a marca da bala.

Resposta da PM

Em resposta à repercussão negativa da repressão aos manifestantes, a Polícia Militar do Rio de Janeiro divulgou uma nota sobre o dia do protesto, mas sem mencionar a ação violenta. "Desde o início da manhã desta sexta-feira (28), a Polícia Militar realizou um patrulhamento intensivo por todo o estado do Rio de Janeiro, trabalhando para garantir que as manifestações reivindicatórias fossem realizadas em segurança e não impedissem o ir e vir da população". O governador Pezão não se pronunciou sobre o tema.

Edição: Vivian Virissimo