CEFART

Alunos da formação artística do Palácio das Artes, em BH, pedem mais investimentos

Movimento de estudantes denuncia falta de profissionais e de estrutura para aulas

Belo Horizonte

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O movimento “Menos Palácio, Mais Artes” reúne alunos dos cursos de Dança, Música e Teatro / Raquel Rosceli / Divulgação

O Centro de Formação Artística (Cefart) da Fundação Clóvis Salgado (FCS) vive um período conturbado. De acordo com os estudantes, a escola funciona de forma precária, com um número escasso de professores, horários reduzidos e falta de infraestrutura nas salas.

Para formalizar as críticas, eles criaram em 2016 o movimento “Menos Palácio, Mais Artes”, que reúne alunos dos cursos de Dança, Música e Teatro e conta com o apoio de funcionários e docentes para cobrar melhorias da administração.

O grupo já conseguiu que fosse realizado um concurso público, que teve edital publicado no dia 31 de março de 2017 e chegou a designar profissionais para algumas áreas. No entanto, os jovens declaram que o número continuaria insuficiente. 

Bremmer Guimarães, aluno de teatro do Cefart, diz que escolheu o curso pela sua fama de excelência, mas, ao começarem as aulas, se deparou com a realidade. Para ele, a Fundação estaria priorizando grandes eventos e deixando de lado a formação de artistas da cidade. 

“Lá, valorizam o Palácio das Artes, as óperas, os grandes espetáculos. Quando há temporada, nosso espaço de aula se torna camarim, e nós não somos nem avisados. É uma imponência que vai na contramão do que querem os estudantes, que é pensar a arte numa perspectiva política”, argumenta.

Crise não é de hoje

O professor de Teatro Luiz Carlos Garrocho, que leciona na instituição desde 1989 e está em processo de aposentadoria, acredita que o contexto atual do Cefart começou a nascer em 2007, quando o então governador Aécio Neves (PSDB) criou a Lei 100, nomeando profissionais sem concurso público. Após a declaração da inconstitucionalidade da lei, quase todo o quadro de profissionais do curso foi substituído e, quem entrava, encontrava salários baixos e retirada de benefícios. 

Além disso, ele conta que a iminência de aprovação da reforma da Previdência, proposta pelo presidente não eleito Michel Temer, fez com que os pedidos de aposentadoria aumentassem. 

“Eu sou exemplo. Não paro de trabalhar porque quero, mas preciso. Os alunos cobram a solução de problemas que foram se acumulando nas gestões anteriores. Os espaços foram desde sempre mal distribuídos, e há pouco tempo isso vem melhorando um pouco. Mas a solução seria criar um prédio do Cefart fora do Palácio das Artes”, sugere.

Protestos

Para chamar a atenção dos frequentadores do palácio, os alunos realizam semanalmente aulas com caráter de manifesto na entrada do prédio e também redigiram uma carta aberta, que pode ser lida na página do movimento no Facebook.

A Fundação Clóvis Salgado, por meio de nota assinada pela diretora do Cefart, Cibele Navarro, afirmou que a falta de professores se daria apenas no curso de Teatro, e alegou que a instituição teria se surpreendido com pedidos de aposentadoria de cinco profissionais e uma solicitação de exoneração. A direção também declarou que os espaços passaram por reformas recentes e que o “diálogo é um dos valores da atual gestão”.

Edição: Joana Tavares