Culinária

Aprenda duas receitas da Feira da Reforma Agrária com os sem-terra

Assentados que participam do evento promovido pelo MST mostram como fazer pratos regionais

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Suerdi Ribeiro da Silva, no MST há um ano e meio, ensina a fazer o arroz com pequi / Rica Retamal

Entre as cores, cheiros e sabores da 2 edição da Feira Nacional da Reforma Agrária, que ocorre até domingo (7) no Parque da Água Branca, na capital paulista, sem-terra explicam e ensinam suas receitas mais tradicionais à reportagem do Brasil de Fato.

Cocada de maracujá

A receita da sobremesa é paranaense. E quem ensina é Leonardo Rosa Ferreira, que mora há um ano no Acampamento Herdeiros da Luta, no Paraná.

Desde que começou a trabalhar com vendas na cidade de Maringá, ele passou a fazer, artesanalmente, cocadas - de coco queimado, com leite condensado e, a que ele garante que é bem-recebida, a cocada de maracujá. "Não é porque sou é eu que faço, não… mas é respeitada", afirmou. Ele vende o doce de porta em porta e também em festas e eventos no estado. Confira no vídeo:

Ele usa coco secos, descasca com facão e, após retirar a água de dentro, leva para a máquina para ralar a fruta. Em uma panela separada, Leonardo dissolve o açúcar com a água e o suco do maracujá e coloca para cozinhar em fogo baixo. Logo após, mistura ao coco ralado.

Como faz a mesma receita há anos, Leonardo faz tudo a base do olho. Mas, para quem quer repetir em casa, ele dá o referencial de quatro medidas de coco para uma de açúcar.

Depois, é só cozinhar até chegar o ponto."Você sente que ela engrossou, que a massa está mais pesada. Não é fraco bem forte demais. É um ponto neutro para aguentar vários dias e ter uma cocada macia", disse. Mas Leonardo alerta: "Se você errar o ponto, em três dias a cocada está uma pedra".

Quando a massa está no ponto, o passo seguinte é forrar uma mesa com plástico e pingando as cocadas, uma por uma, para dar forma. Daí é só esperar elas secarem. Na Feira da Reforma Agrária, as cocadas feitas no mesmo dia pelo paranaense é encontrada pelo valor de R$5 cada.

Arroz com pequi

Depois da cocada de maracujá, a receita agora é o arroz com pequi. No Assentamento Dom Tomás de Balduíno, em Formosa (GO), é comum a produção, conserva e comercialização do Pequi. "Essa é uma tradição de Goiás, lá não falta”, disse Suerdi Ribeiro da Silva, que está no movimento há um ano e meio. Embora em outros estados a fruta possa até ser encontrada, é no cerrado que a produção mais se destaca.

Suerdi, que há mais de 20 anos trabalha como cozinheira, afirma que a fruta tem usos diversos. “Toda vida morei em roça, então toda vida conheço pequi. Até sabão eu já fiz”, contou.

A receita mais cotidiana com o pequi, e que é encontrada na Feira da Reforma Agrária, é o arroz. E Suerdi afirma que a receita não tem segredo: a única  e principal dica é refogar, antes de mais nada, o pequi, alho, cebola e sal a gosto no azeite. Depois, é só cozinhar o arroz como de costume.

A receita, ela afirma, passa de geração a geração. Mãe de três filhos, o filho mais velho da assentada, de 26 anos, tem o costume desde pequeno de comer a fruta e  Em outros estados, ela conta que as pessoas afirma que as pessoas chegam à barraca goiana com curiosidade sobre a fruta e também sobre a gueroba, outro alimento típico de Goiás. Ano passado, em Belo Horizonte, também participando da feira do MST, ela conta que os alimentos fizeram sucesso.

Ela explica que a gueroba é um palmito, mais amargo, e o pequi é uma fruta do serrado. “Nem todo mundo gosta de pequi. Mas, a gente que é de Goiás, ama o gosto do pequi. Já a gueroba é um pouco mais amarga”, explicou.

Edição: Anelize Moreira