Agricultura familiar

Sementes agroecológicas da Bionatur estão presentes na Feira da Reforma Agrária

Desde sua criação, há 20 anos, a cooperativa opta pela agroecologia. Na Feira estão presentes 25 variedades

Brasil de Fato/São Paulo

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O coordenador da Bionatur posa para foto, ao lado da filha, na 2ª Feira Nacional da Reforma Agrária / Rica Retamal

É fundamental colocar alimentos de qualidade na mesa de todos, ainda mais nos dias de hoje, que a alimentação está cada vez mais industrializada.  Ter alimentação saudável e vinda do próprio agricultor, esse é o princípio básico da rede Bionatur, uma marca da Cooperativa Agroecológica Nacional Terra e Vida (Conaterra), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A cooperativa produz sementes agroecológicas de hortaliças, grãos, forrageiras e plantas ornamentais.

A experiência agroecológica de opção por alimentos naturais, não modificados geneticamente e sem veneno começou em 1997, em Candiota, Rio Grande do Sul, com 12 famílias assentadas. Hoje a produção expandiu e já são 180 famílias trabalhando nos estados do Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

O Brasil de Fato entrevistou o coordenador da empresa, Alcemar Adílio, que é o representante da cooperativa na 2ª Feira Nacional da Reforma Agrária e trouxe mais de 25 variedades de sementes. Ele nos contou um pouco sobre a produção, compromisso com a alimentação saudável e a disputa de ideias contra o agronegócio.

BdF: Há quanto  tempo você trabalha na Bionatur?  E quando ela surgiu? 

Alcemar: Estou na Bionatur há seis anos, trabalhando na questão das sementes agroecológicas. A Bionatur agora em 2017 completa 20 anos de história. Ela começou em 1997 e vem trabalhando com hortaliças basicamente ao longo da história.

Como é feita a produção de sementes?  

Nós temos grupos de produção de sementes nos assentamentos, os agricultores produzem a semente e a gente leva para cooperativa. Lá a gente faz o beneficiamento, alguns controles e transforma em pacotes, sachês, latas e comercializa para o público em geral, em feiras e outros espaços que a gente têm abertura para trabalhar. Nós temos as crioulas e as varietais. Nós trabalhamos com essas duas linhas. Todas elas orgânicas ou agroecológicas.

Você pode nos explicar sobre essas duas variedades e a quantidade que a Bionatur produz? 

As sementes orgânicas são validadas por uma certificadora. Por um processo de certificação participativo ou por auditoria. Outro tipo de semente é a agroecológica, que não tem o processo da certificadora, mas temos nossa garantia, porque são nossos agricultores que fazem este trabalho, dentro dos princípios da agroecologia. Hoje nós trabalhamos com 4 toneladas de hortaliças em geral e vamos chegar a 50 toneladas de forrageiras de verão. As forrageiras de inverno produzimos em torno de 30 toneladas.

O que a banca do Rio Grande do Sul e a Bionatur trouxeram para a 2ª Feira Nacional da Reforma Agrária e como você avalia a importância de colocar alimentos saudáveis na mesa do povo? 

Aqui nós estamos com mais de 25 variedades, latas, envelopes, sachês, mas na cooperativa tem bem mais que isso, porque também trabalhamos com forrageiras, com grãos então têm bem mais. Aqui é uma banca só, do Rio Grande do Sul e trouxemos pra cá, suco arroz, salame, sementes. Uma gama de produtos e estamos comercializando juntos no mesmo espaço. É fundamental colocar alimentos de qualidade na mesa do povo, ainda mais nos dias de hoje. A alimentação está virando mercadoria, negócio. Ter alimentação saudável e vinda do agricultor é princípio básico.

Como você enxerga a disputa de ideias e de mercado contra o agronegócio? Como a mídia contribui para isso? 

Hoje essa disputa está muito mais no campo das ideias. A Monsanto lançou uma linha de produção no conceito deles "orgânica". Obviamente eles querem tomar conta deste mercado que hoje, não só a Bionatur está tomando conta. Aí eles estão de olho nisso. A gente sabe do poderio econômico deles, aí não dá pra entrar neste campo de disputa. Mas a Bionatur tem uma linha traçada desde a origem, ao longo destes 20 anos, que é trabalhar uma agricultura de base, de base agroecológica, com os agricultores, num modelo de assentamento ou de pequena agricultura, que é nesse modelo convencional, não é nessa grande dimensão do agro que nós vamos entrar.

Pelo contrário, é atingir um número maior de famílias e adaptar às determinadas regiões do país e trabalhando com as realidades que as pessoas estão vivendo e desenvolver uma agricultura a partir daí. Não é disseminar uma semente com o objetivo de lucro.  A mídia tem um papel fundamental nessa visão, ideia do agronegócio. Eles que consolidam a ideia na prática, dizendo que é bom, que sem o agronegócio o Brasil não sobrevive, que ele é o grande responsável economicamente pelo Brasil. Isso não existe na prática mas a gente sabe que é assim que funciona.







 

Edição: Anelize Moreira