SUS

"SUS deve ser projeto civilizatório de cuidado integral", avalia médico

Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares promoveu debate na 2ª Feira Nacional da Reforma Agrária

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Debate uniu especialista da área da saúde e da alimentação / Miriam Martins

"O SUS [Sistema Único de Saúde] não pode ser apenas uma grande estrutura de assistência e tecnologia, mas sim um projeto civilizatório de cuidado integral da pessoa humana". A opinião é de Stephan Sperling, médico especialista em Medicina de Família e Comunidade, membro da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares (RNMMP) e do Centro Brasileiro de Estudos da Saúde (CEBES). Ele participou como palestrante do debate "SUS: não queremos assistência, queremos cuidado", realizado neste domingo (7), durante a 2ª Feira Nacional da Reforma Agrária, na capital paulista. A atividade foi promovida pela RNMMP.

Sperling aponta as três evoluções do SUS desde sua criação, em 1990. São elas: a concepção do cuidado de doenças, a incorporação da tecnologia para o tratamento e, por fim, a que acontece neste momento, em que há desmonte e cortes de financiamento. "Cada vez mais a gente percebe que os projetos políticos e técnicos da saúde devem cuidar da pessoa humana integralmente", considerou o médico.

Com relação ao tema específico da saúde do trabalhador rural, é preciso mais atenção do poder público e da sociedade, segundo José Erivalder Guimarães, médico especialista em Medicina do Trabalho pela USP (Universidade de São Paulo) e diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo. "A atenção à saúde do trabalhador rural precisa ser melhor aprofundada e passar a ser parte da reivindicação do movimento social", afirmou. Para ele, as reformas trabalhistas e da Previdência trazem impactos negativos que vão afetar a qualidade de vida e saúde dessa população.

Guimarães acredita que muitas vezes os aspectos sociais e econômicos da vida do trabalhador rural não é considerado nos debates de saúde. "Não há apenas o problema dos agrotóxicos", ponderou. "A saúde não pode ser vista apenas como o  cuidado da pessoa, mas sim o que a Organização Mundial de Saúde [OMS] preconiza que é o bem-estar social", concluiu.

Erika Fischer, ex-coordenadora de Alimentação Escolar da Prefeitura de São Paulo e articuladora da Política de Atendimento Integral à Primeira Infância "São Paulo Carinhosa", trouxe informações sobre os programas de alimentação escolar. "A experiência com alimentação escolar em São Paulo foi digna de replicação por aplicar a Lei 11947/2009 que preconiza a compra da agricultura familiar pela prefeitura e estado e, para além disso,  por efetivar programas de educação alimentar que ultrapassam os muros da escola", afirmou. Como legado da gestão anterior, a prefeitura possui um plano de metas que privilegia os alimentos orgânicos e pretende, progressivamente, modificar a alimentação das crianças para que ela seja substituída integralmente por alimentos orgânicos.

Fischer ressaltou, no entanto, a preocupação no que se refere ao sinais de retrocessos na alimentação escolar saudável da capital paulista, na gestão atual de João Doria (PSDB). "As compras da chamada pública da agricultura familiar e orgânica envolve para além de recursos, vontade política", criticou ela, ao afirmar que o governo municipal culpa a crise para justificar o não cumprimento da Lei 11947/2009.

Veja trechos do debate abaixo:

Edição: Luiz Felipe Albuquerque