Reforma Agrária

Entenda o que foi a Segunda Feira Nacional da Reforma Agrária do MST

Evento ocorreu entre os dias 4 e 7 de maio, em São Paulo, e foi acompanhado por 170 mil pessoas

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Feirante expõe seus produtos na II Feira Nacional da Reforma Agrária, que ocorreu no último final de semana em São Paulo / Pablo Vergara

Entre os dias 4 e 7 de maio ocorreu a segunda Feira Nacional da Reforma Agrária, organizada pelo MST, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra. O evento aconteceu no Parque da Água Branca, em São Paulo.

Com 280 toneladas de alimentos e mais de 800 feirantes de pelo menos 23 estados brasileiros, o evento teve o objetivo de aproximar a discussão da reforma agrária e da agroecologia, de acordo com o movimento.

Para Débora Nunes, integrante da Coordenação Nacional do MST e organizadora da feira, ela também tem a importância de aproximar o próprio MST da sociedade. "Vir para cá é reproduzir o que já fazemos nos estados e nos municípios. "O modelo do agronegócio, que destrói a natureza, não gera trabalho, não gera renda, que concentra terra e gera miséria, e tem o modelo da agricultura camponesa que é o nosso, que está aí na diversificação da produção dos alimentos, em outras relações com a natureza".  

Além da feira em si e dos espaços da culinária da terra, que vendiam pratos regionais, o evento trouxe uma série de apresentações da cultura tradicional brasileira e shows de músicos como Tulipa Ruiz, Liniker e os Caramelows e Chico César. Durante seu show, o rapper Emicida discursou pela reforma agrária.

"Se a gente não aplaudir o cidadão que produz sem veneno, que não quer que ele e a família consumam alimentos com veneno. Se a gente não aplaudir a possibilidade de uma autonomia real, então a gente falhou como sociedade mesmo. Todos os nossos sonhos, para se concretizarem, passam pelo acesso à terra".

Um dos pontos altos da Feira foi uma Conferência sobre alimentação saudável. Participaram o ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, a atriz Letícia Sabatella, a apresentadora Bela Gil, o ex-Ministro da Saúde, Alexandre Padilha e o dirigente nacional do MST, João Pedro Stédile.

Marcada pela diversidade regional, seja dos alimentos vendidos, dos sotaques dos feirantes ou do público presente, o evento foi considerado um sucesso de público pelos organizadores: cerca de 170 mil pessoas passaram pelo Parque da Água Branca no fim de semana passado o que supera em 20 mil o número de visitantes da primeira edição da Feira, realizada em 2015. Para  Antonia Ivoneide Melo Silva, dirigente nacional do MST, isso representa um avanço:"Esse ano teve mais gente que da outra feira e a grande imprensa nem falou da gente, quando falou foi para criticar, e o povo mesmo assim está aqui".

O evento, que tem previsão de ganhar sua terceira edição já em 2018, também contou com a presença de outros nomes importantes, como o ex-presidente Lula, que passou pela feira e foi recebido com solidariedade por expositores e visitantes.

Edição: Daniela Stefano