Coluna

Governo golpista tenta se apresentar como responsável por lançamento de satélite

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Satélite Geoestacionário embarca para Guiana Francesa / Divulgação
Esquema Globo ignorou que acordo entre Brasil e França foi feito no governo Lula

O golpista que ocupa indevidamente o Palácio do Planalto, Michel Temer foi apresentado pela Rede Globo como se o seu governo usurpador fosse o responsável pelo lançamento do satélite geoestacionário de comunicação na Guiana Francesa.

O esquema Globo simplesmente ignorou que o acordo entre Brasil e França foi feito no governo Lula e o autor da ideia do satélite de comunicação foi o então Ministro do Exterior, Celso Amorim.

Mas a cobertura do lançamento, feita de Brasília, foi exatamente para enganar incautos com a impressão de que o lançamento foi devido ao governo golpista. Junto a Temer estavam Raul Jungman, o Ministro golpista da Defesa, e Gilberto Kassab, da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, sendo que o primeiro fez declarações do tipo confirmando o que a emissora apoiadora e protagonista do golpe de 2016 apresentava para mais uma vez enganar a opinião pública.

Temer, que tem aparecido bastante nos canais de televisão como se fosse responsável por ações que não são dele, repete com o lançamento do satélite a história recente da inauguração da obra do rio São Francisco, de responsabilidade também do governo Lula. Mas o povo beneficiado com a transposição das águas do rio da integração nacional posteriormente recebeu festivamente o ex-presidente e a presidenta deposta Dilma Rousseff, reconhecendo-os como responsáveis pela obra e não o usurpador.

Temer realmente é de um cinismo absoluto. Ultimamente anda concedendo entrevistas para lá e para cá, fazendo declarações mentirosas que o povo brasileiro, segundo indicam as pesquisas, repudia.

Em sua mais recente aparição, no canal Rede TV, para uma entrevista convescote, em que os entrevistadores jogam a bola para o entrevistado dar o recado, o ocupante indevido do Palácio do Planalto além de defender a reforma previdenciária que propõe declarou solenemente que não pretende "continuar na atividade política” (depois de cumprir o mandato). E complementou afirmando que “já cumpri o meu papel”. E que papel!

Sim, ele será lembrado como o golpista galgado à Presidência da República para cumprir o papel imundo que está cumprindo, ou seja, de servir a interesses econômicos em detrimento dos trabalhadores brasileiros.

Não é à toa que a cada dia aumenta mais a desconfiança em relação ao que o seu governo pode fazer de pernicioso, não só no Brasil como na própria região. No Parlamento do Parlasul, por exemplo, o deputado argentino Oscar Laborde, alertou que o governo de Donald Trump pretende que os Exércitos do Brasil e da Argentina “sejam cúmplices em uma intervenção na Venezuela”. E pelo visto estão preparando terreno para tal fim espúrio.

Tudo é possível em se tratando dos governos Temer e Maurício Macri, duas figuras fortemente vinculadas a Washington. Segundo ainda o deputado do Parlasul, o tema que ele alerta foi debatido no último encontro de Macri com Trump na Casa Branca.

No caso brasileiro, Temer repetiria o que foi feito no governo do primeiro general de plantão pós 64, Humberto de Alencar Castelo Branco, que deu apoio a invasão militar norte-americana na República Dominicana.

Como Temer, Castelo Branco também foi produto de um golpe com outras características, ou seja, um golpe empresarial militar, enquanto que o atual resultou de um golpe parlamentar, midiático e judicial. Como golpista é sempre golpista e capaz de tudo e muito mais, é preciso muita atenção em relação à advertência do Deputado do Parlasul, Oscar Laborde.

Naturalmente se a advertência for divulgada pela mídia comercial conservadora, analistas de plantão comentarão que se trata de afirmação absurda e uma visão deformada da história, algo na base da visão conspiratória da história.

Por estas e outras ainda ocultas, todo o cuidado é pouco, porque nunca se sabe o que governos como o de Temer e Macri podem estar preparando em colaboração com os Estados Unidos.

* Mário Augusto Jakobskind é jornalista, integra o Conselho Editorial do Brasil de Fato no Rio de Janeiro, escritor e autor, entre outros livros, de Parla - As entrevistas que ainda não foram feitas; Cuba, apesar do Bloqueio; Líbia - Barrados na Fronteira e Iugoslávia - Laboratório de uma nova ordem mundial.