Ancestralidade

Festa da Abolição dos Arturos celebra antepassados no fim de semana, em Contagem (MG)

Entre as atividades, está o Desfile de Escravos, no qual um grupo interpreta a vida dos negros no Brasil

Belo Horizonte

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A programação começa no sábado (13) e segue até domingo (14) / Ricardo Lima

O fim de semana será de celebração da ancestralidade negra em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. No sábado (13) e domingo (14), o Quilombo dos Arturos realiza a sua 43ª Festa da Abolição, que marca a data do Dia da Abolição da Escravatura no Brasil e tem o objetivo de relembrar a resistência e o sofrimento do povo negro. 

Aberto à população, o evento é uma tradição passada de pai para filho, desde que a criança está no ventre da mãe. Quem conta a história é o integrante da comunidade, Jorge Antônio dos Santos, de 49 anos, criado no quilombo. “Tenho uma netinha de um ano que já toca um tamborzinho”, conta ele. 

A festa dos Arturos começou na década de 70, por meio da Missa Conga, para lutar contra a sociedade que não aceitava as manifestações da cultura africana. Desde então, diversas gerações descendentes de negros escravizados aprendem a história da escravidão. 

A programação começa às 18h do sábado, com a concentração das Guardas de Congo e Moçambique, e termina às 21h do domingo, no descimento das bandeiras. Entre as atividades, está o Desfile de Escravos, no qual um grupo interpreta a vida dos negros do Brasil Colônia até a batalha para a igualdade racial e social dos dias de hoje. 

Já o Lamento Negro, quando os quilombolas entoam cânticos antigos, é um momento para demonstrar respeito às atrocidades cometidas contra os antepassados. Além disso, de acordo com Jorge, é uma celebração do direito à fé, já que a entrada dos negros era proibida nas igrejas católicas.

“Temos a Dança do Sol, às 4h, quando a lua está indo, e o sol vindo. Assim, buscamos energia, reflexão, nos comunicamos com nossos ancestrais para que eles nos protejam, abençoem”, explica o quilombola.

Para ele, a data da abolição é uma forma de se fortalecer e se conectar com os antigos, pois a escravidão ainda traz consequências para os negros. “Foram mais de 300 anos de dor, a liberdade só veio com muita luta e sem nenhum apoio. Até agora buscamos a regularização fundiária das nossas terras, nossos direitos, que sempre foram colocados à margem”, afirma.

A Comunidade dos Arturos fica na Rua da Capelinha, nº 50, bairro Jardim Vera Cruz, em Contagem.

Centro de Africanidade terá nova sede no Calafate

O Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afrobrasileira (CENARAB) terá sua nova sede inaugurada no dia 19 de maio, a partir das 16h. A instituição funcionará em um prédio do arquiteto Oscar Niemeyer, construído na década de 1950 e situado na Rua Desembargador Barcelos, nº 102, bairro Calafate, região Oeste de BH. A reabertura contará com a presença de autoridades municipais e estaduais dos Direitos Humanos, além de lideranças religiosas de matriz africana. O novo espaço do CENARAB irá acomodar a Escola de Empreendimento Solidário, que poderá atender mil estudantes por ano nas oficinas de formação e qualificação profissional. Fundado em 1991, o centro trabalha para transformar a realidade das comunidades tradicionais e combater a intolerância religiosa.

Edição: Joana Tavares