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Nova tentativa de a Venezuela encontrar o caminho da paz

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Nicolas Maduro propôs no Dia do Trabalhador a realização de uma Assembleia Nacional Constituinte / Foto: Agência Boliviana de Informação (ABI)
Constituinte pode levar a Venezuela a encontrar realmente o caminho da paz

O Presidente da Venezuela, Nicolas Maduro propôs no Dia do Trabalhador a realização de uma Assembleia Nacional Constituinte com o objetivo de os venezuelanos revisarem, debaterem e definirem as bases do Estado em termos econômicos, políticos e sociais.

Foi também uma forma de tentar fazer o país caminhar para um diálogo entre as partes que divergem para evitar a continuidade dos confrontos que têm provocado mortes.

Tanto assim que logo em seguida foram convocados os mais diversos segmentos da sociedade para discutirem a matéria.

A tentativa de fazer com que a Venezuela encontre o caminho da paz através do diálogo, segundo a Telesur, foi aceita por organizações políticas opositoras e oficialistas, entre as quais o Partido Jovem, Movimento Cidadão pelo Campo, Democracia Republicana, Poder Laboral,Resistência Civil, Democracia Renovadora e Movimento.

Reunião realizada na sede do governo, o Palácio Miraflores, uma semana depois da divulgação da proposta de Maduro contou com a participação de 17 partidos, segundo informação procedente de Caracas.

Mas o grupo oposicionista Mesa da Unidade Democrática (MUD) não só se recusou a participar como considerou a proposta governamental “fraudulenta e ilegítima”.

A MUD preferiu continuar convocando manifestações nas ruas contra o governo. Fez a sua opção estimulada por forças externas, entre elas a do Secretario Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o uruguaio Luis Almagro, e do governo golpista de Michel Temer, cujo Ministro do Exterior, Aloysio Nunes Ferreira, fez coro com a oposição interna que prefere em vez do diálogo convocar opositores nas ruas para derrubar o governo.

Os meios de comunicação conservadores, que diariamente “ínformam” sobre o que ocorre na Venezuela seguem o mesmo caminho, ou seja, dando força para os segmentos que querem de todas as formas derrubar o governo constitucional de Nicolas Maduro.

O informe colocado entre aspas é necessário, porque de uma maneira geral as informações sobre a Venezuela divulgadas pela mídia comercial conservadora, haja vista o grupo Diário das Américas, se caracterizam por grosseiras manipulações e objetivam basicamente levar a opinião pública a repudiar com veemência o governo de Nicolas Maduro.

Pelo que se lê nos jornalões e se vê nos telejornalões, a ênfase que vem sendo apresentada é que a convocação da Assembleia Constituinte fere a atual Constituição, o que é contestado pelo governo e por analistas não comprometidos com a direita venezuelana.

Nas convocações para o debate do processo que reformará o ordenamento jurídico da nação, o livro azul da Constituição é mostrado, como forma de resposta aos convocadores de manifestações contra o governo que insistem em reforçar a tese de que Maduro é “golpista”.

Para alguns analistas, os fatos demonstram claramente que a MUD é que prefere mais uma vez tentar um golpe de estado para acabar com o governo de Nicolas Maduro. Alguns opositores têm conclamado as Forças Armadas para “restabelecer a ordem”, ignorando que a corporação tem se manifestado em defesa do Presidente constitucional Nicolas Maduro e da defesa da legalidade.

Em suma, os fatos estão a demonstrar claramente que a MUD não quer mesmo o diálogo. O Papa Francisco em recente pronunciamento revelou que a oposição ao governo venezuelano se recusou a continuar a anterior tentativa de diálogo, mediada inclusive pelo Vaticano, que objetivava também alcançar o caminho da paz.

E agora a história se repete com a recusa da MUD. Nesse sentido já foram convocados, entre outros, representantes do poder público, religiosos, reitores de universidades, movimentos sociais, associações indígenas, meios de comunicação social, sindicatos patronais, além dos redatores da Constituição de 1989, elaborada após a primeira eleição do Presidente Hugo Chávez, segundo noticiou a Telesur.

Em suma, espera-se que a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte possa levar a Venezuela a encontrar realmente o caminho da paz e acabe de uma vez por todas com a violência nas manifestações convocadas pela oposição e que para analistas objetivam fazer com que forças externas decidam intervir, como já aconteceu em outros momentos na história latino-americana, como na década de 60 na República Dominicana, inclusive com a participação do Brasil no governo do general de plantão, Humberto de Alencar Castelo Branco em apoio às forças militares de intervenção dos Estados Unidos.

* Mário Augusto Jakobskind é jornalista, integra o Conselho Editorial do Brasil de Fato no Rio de Janeiro, escritor e autor, entre outros livros, de Parla - As entrevistas que ainda não foram feitas; Cuba, apesar do Bloqueio; Líbia - Barrados na Fronteira e Iugoslávia - Laboratório de uma nova ordem mundial.