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Marx indignado com o capitalismo é tema de peça teatral no Rio de Janeiro

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17 de Maio de 2017 às 18:35
Uma “comédia indignada” sobre um personagem da história mundial pode ser apreciada no Brasil / Reprodução
Monólogo mostra várias passagens da vida de Karl Marx

Na peça intitulada “Marx baixou em mim – uma comédia indignada”, escrita por Howard Zinn, intitulada originalmente "Marx em Soho”, o filósofo que revolucionou o mundo pede para descer à Terra porque está indignado e quer limpar o seu nome detratado pelos defensores do capitalismo, que vitorioso resultou, como previsto por Marx, na riqueza ficando nas mãos de poucos.

Você conhecerá várias passagens da vida de Marx, que depois de ser expulso de Paris, cidade onde conheceu Friedrich Engels, que se tornou seu amigo e colaborador, posteriormente Bruxelas, e conseguiu finalmente se estabelecer em Londres, onde passou momentos difíceis, sobrevivendo com a família em Soho, bairro pobre da capital britânica. Ele então conta histórias fantásticas sobre sua família lá estabelecida, a companheira Jeny e uma filha que conseguiu continuar viva, porque outras morreram por não terem resistido às condições insalubres de vida.

Em uma das passagens da peça, Marx conta com detalhes os seus desentendimentos com o anarquista Bakunin, que criticou com veemência os seus escritos, entre os quais também o Manifesto Comunista de 1848, chegando a afirmar sobre O Capital que “o povo está se lixando para as suas teorias”. E Bakunin complementou afirmando que (o povo) “vai fazer a revolução a partir da barriga dele”. O desentendimento com Bakunin é um dos pontos marcantes da narrativa.

Jeny, a sua mulher de Marx, seguiu mais ou menos a mesma linha crítica de Bakunin ao dizer “esqueça seus leitores intelectuais, dirija-se aos trabalhadores”. Jeny entendia que O Capital “é demasiado detalhado, demasiado grande, é pesado, seus leitores vão dormir”.

Ao escrever O Capital, que depois de mais de um século continua atual, Marx, apesar do ceticismo de Bakunin e das advertências da mulher, seguiu otimista quanto ao entendimento dos seus escritos. Ele acertou e nos dias de hoje tem seguidores em várias partes do mundo.

No seu retorno à Terra, o filósofo, sociólogo, jornalista e revolucionário, conforme determina o autor da peça, critica, sem citar nomes, mas facilmente identificáveis, lideranças como Joseph Stalin, que se valeram de métodos violentos, repudiados por autênticos comunistas, para impor suas ideias.

Em uma parte do monólogo, desta vez inserido por Jitman, Marx revela que pela primeira vez se encontrava em território latino-americano e em um país, no caso o Brasil, cujos governantes tentam impor goela adentro do povo reformas que ainda por cima agravarão o quadro existente de exploração do homem pelo homem.

“Marx baixou em mim – uma comédia indignada” é fundamental para não só se conhecer partes da vida em Soho do filósofo, sociólogo, jornalista e revolucionário nascido na Prússia em 1818 e que se tornou apátrida passando parte de sua vida em um bairro pobre de Londres, como ajuda a refletir sobre o momento atual que o mundo atravessa quando o capitalismo ingressou numa fase em que se acirram as contradições resultando em maior grau de desigualdades sociais não só na América Latina, como também no continente em que Marx desenvolveu suas teorias dissecadoras do sistema econômico de exploração do homem pelo homem.

Depois de mais de uma hora de acompanhar a peça escrita pelo lutador de causas justas Howard Zinn, que merece ser também conhecido como batalhador do bom combate contra o racismo - quando no início dos anos 50 lecionou para uma escola de negros norte-americanos - e a guerra do Vietnã, os espectadores poderão também opinar e debater sobre a peça e o momento atual no mundo.

Esta é em síntese a proposta da peça “Marx baixou em mim – uma comédia indignada”. E quem tiver oportunidade e quiser conhecer a reflexão escrita em 1999 pelo dramaturgo e ativista político norte-americano Howard Zinn, deve entrar em contato com o ator e diretor da peça, Jitman Vibranovski. Zinn, se fosse vivo, estaria em seus 95 anos, mas nos deixou antes do combinado, em 2010.

Jitman se coloca à disposição ao afirmar que “Marx voltou e me incumbiu de ir onde houver pessoas querendo dialogar: escolas, sindicatos, teatros, residências, qualquer lugar. E quem estiver interessado, é só me chamar, que vou, pois Marx mandou”.

O contato pode ser feito através do e-mail [email protected] ou pelo telefone 21-99994.2315. Vale a pena mesmo, porque você conhecerá uma “comédia indignada” desenvolvida em uma linguagem compreensível para todos os públicos e interpretado de forma excepcional por Jitman. E de quebra, como já foi dito, poderá debater sobre o que viu e ainda sobre o momento atual no mundo e no país que Marx baixou pela primeira vez.

Assim tem feito Jitman Vibranovski, como já aconteceu em alguns colégios em que secundaristas tiveram oportunidade de conhecer Marx, que as oligarquias detentoras do poder político e econômico no regime capitalista procuram de todas as formas queimar a imagem.

Mas antes de finalizar este comentário vale assinalar que o texto foi apresentado a Jitman, e traduzido para o português, pela brasileira Tereza Briggs, uma teatróloga que vive em Londres.