Golpe

"Governo Temer acabou", diz cientista político

Na avaliação de Aldo Fornazieri, apenas "enorme" mobilização popular poderá garantir a convocação de eleições diretas

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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"A única saída possível para reverter esse quadro é que milhões de pessoas saiam para as ruas", disse o cientista político / Mídia NINJA

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, homologou, na tarde desta quinta-feira (18), a delação premiada dos donos do grupo JBS. Com a confirmação das declarações de que o presidente golpista, Michel Temer (PMDB), deu aval para a compra do silêncio de Eduardo Cunha (PMDB), para evitar uma possível delação premiada do ex-parlamentar, a opinião do cientista político e diretor da Fundação Escola de Sociologia e Política (FESPSP), Aldo Fornazieri, é de que "o governo Temer acabou".

Em entrevista à Rádio Brasil Atual na manhã desta quinta, Fornazieri avaliou que, do ponto de vista político, não há condições de o Congresso aprovar uma emenda convocando eleições diretas para a Presidência da República. Ainda segundo ele, a única saída possível para reverter esse quadro é que milhões de pessoas saiam para as ruas. Nenhum outro quadro, no cenário político atual, poderá garantir o direito constitucional de o povo escolher seu representante.

"O que surpreende é a ousadia dos criminosos que mesmo na chefia do governo, mesmo com toda a operação Lava Jato em andamento, não tiveram pudor em cometer crimes dessa magnitude", comentou na entrevista. "Todo mundo sabia que quando esse governo ascendeu ao poder, estava ascendendo a maior quadrilha de corruptos que o país já teve no comando", completou.

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Eleições

Na análise do cientista, duas são as opções possíveis para solucionar rapidamente a crise política brasileira que, no entanto, não trariam consigo as Diretas Já. "Em primeiro lugar, seria o Supremo Tribunal Federal suspender o mandato tanto do Temer quanto de Aécio Neves pela gravidade e contundência das provas que seriam reveladas", apontou. A segunda, seria o Tribunal Superior Eleitoral cassar a chapa Dilma-Temer e, consequentemente, o mandato de Temer, já que este processo já está em curso.

Como precedente de uma eventual suspensão do mandato de Temer, por exemplo, Fornazieri cita a cassação do mandato de Eduardo Cunha da Presidência da Câmara dos Deputados, em maio do ano passado, pelas tentativas de obstruir a investigação e colheita de provas no âmbito da operação Lava Jato. "O STF não pode permitir perante um cometimento de um crime dessa magnitude", completou.

Mesmo em um cenário no qual Temer renunciasse, o quadro político brasileiro levaria às eleições indiretas. "Rodrigo Maia assumiria e, em 30 dias, ele convocaria uma eleição indireta. O que é uma eleição indireta? Uma eleição feita pelo Congresso. Deputados e senadores elegeriam um presidente indiretamente."

No caso das eleições indiretas, a opinião do cientista é de que "há que se buscar um nome isento, que não tenha relações com esse jogo da corrupção, seja pelo lado do PMDB ou do PSDB que aparentemente controlam a maioria na Câmara dos Deputados."

Edição: Vanessa Martina Silva