18 de Maio

Dia Nacional da Luta Antimanicomial é marcado por atividades em defesa da liberdade

Na capital pernambucana, passeata reuniu militantes, profissionais e estudantes

Brasil de Fato | Recife (PE)

,
O ato teve concentração na praça da democracia / Divulgação

O dia 18 de maio marca no Brasil o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. A data foi instaurada em 1987, quando trabalhadores de serviços de saúde mental se organizaram para dar visibilidade ao Movimento da Luta Antimanicomial. Com o tema “Nenhum Passo Atrás: Loucura, Luta e Liberdade!”, acontece no Recife a V Semana Antimanicomial de Pernambuco, proposta pelo Núcleo Estadual de Luta Antimanicomial Libertando Subjetividades, com oficinas, intervenções, rodas de conversa, seminários, ato político, entre outros momentos de discussão. A programação teve início no dia 11 de maio e vai até este sábado, 20 de maio.

As atividades se iniciaram com o Seminário Antimanicomial, realizado no auditório da Faculdade Frassinetti do Recife (Fafire) no último dia 11. Durante a semana foram realizadas intervenções e rodas de conversa, cine-debate, entre outras atividades. Contra os manicômios e em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), dos direitos e da democracia, o Núcleo Estadual da Luta Antimanicomial - Libertando Subjetividades, em parceria com estudantes, profissionais da saúde, famílias, usuários e coletivos, foram às ruas em passeAto no dia 18 de maio, Dia Nacional da Luta Antimanicomial. A concentração do ato político teve início às 8h30, na Praça da Democracia (Derby), e saiu às 10h em caminhada em direção ao Parque Amorim.

Para Beatriz Viana, psicóloga e militante do Núcleo Libertando Subjetividades, a luta antimanicomial, por ter estado, desde o começo, associada ao movimento da Reforma Sanitária, é uma também luta que está intimamente vinculada à defesa do SUS e da democracia. “Vivemos um momento político de ataque à saúde pública e incentivo à iniciativa privada, então temos um ataque muito grande ao SUS. Costumamos dizer que a democracia é antimanicomial, porque não existe uma luta antimanicomial se a gente não estiver em um Estado democrático. Hoje, esse contexto de golpe é preenchido por valores conservadores e é fortemente pressionado pela indústria farmacêutica, de patologizar a vida, de ganhar dinheiro em cima do sofrimento”, afirma a psicóloga.

Também engajado na luta, Gabriel Nascimento, usuário da rede de atenção psicossocial e aluno da I Escola de Formação da Luta Antimanicomial do Recife, afirma que o dia 18 de maio é importante justamente por denunciar a falta de apoio e de cuidado com os usuários. “Lutamos pelo fechamento dos hospitais psiquiátricos e que as pessoas que têm transtorno, ou que estão desenvolvendo transtorno, tenham o direito de ter um lugar na sociedade. Essas pessoas não cometeram nenhum crime para estarem presas em um lugar”, enfatiza Gabriel. Na opinião dele, as barreiras do preconceito e da falta de informação ainda não foram superadas: “As pessoas não sabem o que muitos passaram, e ainda passam, por conta desses hospitais. O preconceito e a falta de informação andam lado a lado, precisamos lutar juntos, para ampliar o conhecimento da sociedade sobre o assunto e ter cada vez mais força e apoio nas ruas”.

As atividades da V Semana da Luta Antimanicomial seguem acontecendo no Recife, com oficina sobre Protagonismo de usuários e familiares nesta sexta-feira, 19 de maio, no Conselho Municipal de Saúde às 13h. Dando encerramento à agenda, o Fórum de Trabalhadores realiza atividade com foco no cuidado com os trabalhadores neste sábado, 20 de maio, às 9h, no Sítio da Trindade. Também na Região Metropolitana, a Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho, junto à Secretaria Municipal de Saúde, organizou programação sobre a luta antimanicomial no Cabo.

Agreste

No Agreste pernambucano também foram desenvolvidas atividades na semana que marca o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Em Garanhuns, o Centro Acadêmico de Psicologia Iana Iavelberg (UPE) organizou uma programação especial para o dia 18 com o tema “Loucura é permanecer com o preconceito”. Já em Caruaru, o Coletivo Caralâmpia realizou a II Semana da Luta Antimanicomial, entre os dias 15 e 19 de maio. A programação contou com rodas de conversa, cine-debate, oficinas, vivências e espaços de sensibilização. As ações em Caruaru se encerram na sexta-feira, com o PasseAto da Luta, que tem início às 15h, em frente ao Grande Hotel.

Sertão

As atividades no Vale do São Francisco se concentraram em Juazeiro (BA), com a quarta edição do Sarau Poético “Tá Pintando Loucura”, na noite do dia 18, no Arco da Ponte. O evento foi construído pelo Núcleo de Mobilização Antimanicomial do Sertão (Numans), em parceria com usuários, familiares e profissionais da Rede de Atenção Psicossocial.

Edição: Monyse Ravena