Minério de ferro

Projeto Minas-Rio, que prevê 28 anos de exploração, tem histórico de trabalho escravo

Anglo American, responsável pela obra, prevê ampliar barragem de rejeitos, mas não apresentou plano de contenção

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Área de mineração da Anglo American
Área de mineração da Anglo American | Crédito: Área de mineração da Anglo American

A Fase 3 do projeto Minas-Rio, da mineradora inglesa Anglo American, prevê R$ 1 bi de investimentos e garante 28 anos de exploração de minério de ferro na região do município de Conceição do Mato Dentro, no centro de Minas Gerais. A perspectiva é que se extraia 26 milhões de toneladas de minério por ano.

A empresa está prometendo gerar muitos empregos com a obra: em nota, ela afirma que, no pico das obras da Fase 3, serão gerados 800 novos postos de trabalho, sendo 100 deles definitivos. No entanto, seu histórico é de desrespeito às leis trabalhistas e consecutivos flagras de condições análogas à escravidão.

Na fase de implantação das obras, em 2009, cerca de 6 mil trabalhadores se rebelaram contra as más condições de trabalho, ateando fogo nos alojamentos e impedindo a entrada de carros no canteiro de obras. Em 2014, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) flagrou 185 trabalhadores submetidos a condições de trabalho análogas às de escravos. Desses, 67 prestavam serviço para a Anglo. Em 2013, a empresa já havia sido considerada responsável pela escravidão de 172 trabalhadores, incluindo 100 haitianos. Na época, a empresa afirmou que “repudia qualquer acusação de trabalho escravo”.

Semelhanças à Mariana

O projeto de ampliação prevê, além da expansão da mina, a ampliação de uma barragem de rejeitos (cujo nome técnico é alteamento). Por isso, um dos elementos que as organizações e comunidades cobram é a apresentação de um plano de contenção, em caso de rompimento.

“Tem famílias que moram muito mais perto [de onde está a barragem de rejeitos] que em Bento Rodrigues [distrito destruído após o rompimento de Fundão, da Samarco, em Mariana (MG)]. O estudo apresentado está defasado, precisa de atualizações. Não deveria se antecipar para a etapa 3 sem ter isso”, aponta Juliana Deprá, do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM).

Segundo a Anglo American, a ampliação da barragem de rejeitos será necessária para o aumento de capacidade e será feito a jusante, ou seja, à frente da estrutura atual. “Durante a obra do alteamento, haverá um rigoroso controle tecnológico de construção e fiscalização”, garante a empresa em nota.

A mineradora afirma ainda que conta com um “completo programa de monitoramento de segurança para a barragem de contenção de rejeitos” e que possui o Plano de Ações Emergenciais de Barragem de Mineração, “com todos os procedimentos a serem seguidos para alerta e evacuação das áreas podem ser atingidas em caso de rompimento”.

Previsão

No primeiro trimestre de 2017, a produção de minério da Anglo American aumentou 30% em comparação com o mesmo período de 2016. A empresa espera produzir 26,5 milhões de toneladas por ano com a Fase 3 do projeto.

Editado por: Camila Rodrigues da Silva

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