Violência

Em cinco meses, 7 pessoas LGBT foram mortas no Paraná

Casos de violência também têm sido recorrentes. No dia 14, homem sofreu queimaduras em ataque.

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Em Curitiba, violência contra população LGBT foi tratada em ações da Semana da Diversidade / Melito

O ataque contra Cleverson Assis, no última dia 14, só reforça a violência que vitimiza gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), em Curitiba. O homem de 40 anos foi atacado por um rapaz que atirou um produto químico em seu corpo enquanto dizia "Toma aí, seu viado". Cleverson foi socorrido e levado ao Hospital Universitário Evangélico com queimaduras de segundo e terceiro grau no rosto e no tronco, e corre o risco de perder a visão no olho esquerdo. O ataque está sendo investigado pela Polícia Civil. No dia 22, a polícia divulgou o retrato falado do autor do crime.

O caso mostra as ações de ódio que se manifestam na capital e em outras cidades do estado. Segundo dados do Grupo Gay da Bahia, ao menos 7 pessoas LGBT foram mortas no Paraná apenas em 2017. Ao longo de 2016, foram 15. 

Esse dado compõe outra estatística assustadora: no ano passado, uma pessoa LGBT foi morta a cada 25h no país. Foram 343 mortes LGBT registradas e notificadas pela imprensa, mas outras tantas ficaram de fora da conta. 

Intolerância 

Diretor do Grupo Dignidade, em Curitiba, Toni Reis avalia que esse cenário está relacionado a um aumento no fundamentalismo religioso e na extrema direita no país, que quer atacar o diferente. Segundo ele, o contexto político brasileiro contribui para esse aumento e para essas manifestações de ódio. “O fascismo está faceiro”, diz.

Os comentários feitos na internet sobre o caso de Cleverson confirmam o discurso de ódio que circula na rede. Toni revela que o homem está muito abalado com a repercussão e com os comentários extremamente agressivos, que vão ser investigados. "Defendemos a liberdade de expressão, desde que essa expressão não fira a integridade humana”. 

Em abril, o casal João Pedro Schonarth e Bruno Banzato também foi vítima da intolerância, em Curitiba. Os jovens foram alvos de panfletos homofóbicos espalhados em ruas do bairro Água Verde, para onde se mudariam em breve. Em resposta à isso, cerca de 300 pessoas se reuniram em uma praça próxima da residência, para prestar solidariedade ao casal.



 

Edição: Ednubia Ghisi