Coluna

Governo golpista dá uma nova demonstração concreta de inutilidade

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26 de Maio de 2017 às 17:19
Raul Jungmann fala sobre revogação de decreto / Antonio Cruz/Agência Brasil
Que papelão o do ministro golpista da Defesa, Jungman, ao revogar decreto

Que papelão o do ministro golpista da Defesa, Raul Jungman ao convocar a imprensa e ficar ao lado do General Sérgio Etchegoyen, do Gabinete Constitucional, para anunciar a convocação de tropas militares por “ordem e segurança” em Brasília. Jungman foi dar recado do seu chefe golpista Michel Temer, que queria demonstrar a opinião pública que manda. No dia seguinte, em função da repercussão negativa da determinação do golpista Temer, mais uma vez apareceu Jungman para declarar em nome do chefe que a convocação das Forças Armadas, que duraria até o dia 31 de maio, foi revogada.

Temer e a sua patota a cada dia que passa demonstra a inutilidade do seu governo. O seu time percebendo que Temer não tem mais condições de continuar virou um fantasma, se vale agora da mídia comercial para emplacar a palavra de ordem em defesa das reformas trabalhista e previdenciária, dizendo que governo Temer é uma coisa e as reformas outra.

Preferem ignorar a voz rouca das ruas, como em Brasília que foi palco da maior manifestação popular de sua história. A ação de um pequeno grupo que protagonizou o quebra-quebra nos Ministérios não representa os trabalhadores e há quem diga que mais uma vez os serviços de inteligência a serviço dos golpistas foram os responsáveis, exatamente para desviar a atenção dos verdadeiros manifestantes convocados pelas centrais sindicais.

É mais do que necessário que os organizadores de justas manifestações contra o governo golpista adotem medidas de pulso para evitar que uma meia dúzia de infiltrados venha a se destacar como manifestantes. É preciso evitar também que a mídia comercial conservadora faça a cabeça de incautos. Em suma, é preciso demonstrar de uma vez por todas que os promotores de quebra quebras não representam os trabalhadores.

E a violência policial, como ocorrida em Brasília e no Rio de Janeiro, não pode continuar da mesma forma que o verdadeiro genocídio que ocorre na área rural brasileira, como o mais recente no Pará. Esse triste acontecimento, por culpa da polícia, não ocupou grande espaço na mídia comercial conservadora, que preferiu dar destaque no noticiário de forma a criticar as centrais sindicais que promoveram a manifestação em Brasília e até mesmo os servidores púbicos do Estado do Rio, que tiveram também de enfrentar a violência policial, uma Polícia Militar obediente das ordens do Governador Pezão.

Quem não estava em Brasília na última quarta-feira (24) e acompanhava o noticiário pelos canais de televisão não pôde ter ideia exata dos acontecimentos, já que a tônica da cobertura das manifestações era de apresentar os que protestavam como vândalos. Já no Congresso parlamentares que fazem oposição ao governo ilegítimo acusavam a polícia de agir de forma violenta e sem preparo algum para lidar com protestos contra as reformas que levam o Brasil a retrocessos de grande monta.

O governo ilegítimo mandou o Ministro da Defesa Raul Jungman ao lado do general Sérgio Etchegon, do Gabinete Institucional, falar com jornalistas. Não foi propriamente uma entrevista coletiva, como tinha sido anunciado inicialmente, embora algumas emissoras mantiveram a afirmação mentirosa, mas apenas um pronunciamento em que o Ministro procurou apresentar o governo, possivelmente com os dias contados, como vítima. Jungman deu a entender também que o Presidente golpista Michel Temer acionaria tropas para “manter a ordem”. Pode-se entender facilmente qual o conceito de ordem que defende um governo ilegítimo e que só assumiu  devido a um golpe parlamentar, midiático e judicial.

Em seguida foi divulgado decreto de Temer permitindo as Forças Armadas atuarem provisoriamente com poder de polícia para manter a “ordem e a segurança”, o que só acontece em ditaduras ou guerras. Isto era comum durante a ditadura empresarial militar de 1964 com os generais de plantão, entre os quais o último deles, o general João Batista Figueiredo. Temer quer continuar de qualquer forma, inclusive convocando os militares para o manterem e por isso baixou o decreto mencionado com valor de 24 a 31 de maio.

Ao mesmo tempo em que ocorriam os protestos, maiores dos últimos tempos em Brasília, o centro do Rio de Janeiro, em frente à Assembleia Legislativa era palco de uma praça de guerra. No plenário da Assembleia os deputados estaduais votavam o aumento da contribuição previdenciária, de 11 para 14%, ou seja, o governo Pezão em conluio com o federal quer de todas as formas que os servidores do Estado do Rio de Janeiro paguem a conta da incompetência resultante de uma política de arrocho.

Da mesma forma que a cobertura dos protestos em Brasília, os acontecimentos no Rio foram apresentados de forma distorcida, como se os manifestantes, servidores públicos, fossem os causadores da violência e não a truculência da PM e de efetivos da Força Nacional.

Quer dizer que os PMs e demais efetivos da repressão que cumprem ordens superiores emanadas pelo governo do Estado não são os responsáveis pela violência, mas sim os servidores que além de terem os salários atrasados serão obrigados a diminuí-los em função do aumento dos descontos previdenciários? Esse é o governo, que procura enganar a opinião pública e conta com isso com a ajuda da mídia comercial conservadora, que ao cobrir protestos tenta convencer os incautos que a violência não é de responsabilidade da polícia.

Vale lembrar que enquanto a mídia comercial apoiadora das reformas trabalhista e previdenciária considera os manifestantes de um modo geral como vândalos, já quando dos protestos na Venezuela, os manifestantes, muitos deles mascarados, são considerados apenas como manifestantes jamais como vândalos.

É preciso muita atenção, porque os golpistas que ocupam o governo federal em fase terminal podem aproveitar o momento para acionar ainda mais repressão contra os brasileiros que querem eleições diretas já e são contra as reformas retrocesso.

Nesta hora, se juntam Temer, Jungman, Etchegoyen, Rodrigo Maia e demais figuras que compõem a base aliada para fazer o possível para evitar que o Brasil retorne a normalidade e saia da grave crise em que está mergulhado. E a normalidade neste momento é o povo ser convocado para decidir quem devem ser os seus representantes.

O Congresso não tem moral política para eleger um Presidente da República no caso de Temer perder o mandato. Como se sabe, um em cada três parlamentares foram eleitos com a ajuda financeira da JBS e isso sem contar com as demais empresas bancadoras. Se fosse feito jornalismo investigativo, ou jornalismo propriamente dito, o povo brasileiro poderia conhecer o percentual da base aliada golpista que se elegeu com o apoio mencionado.

Assim caminha o Brasil, cujo governo já terminal tenta de todas as formas se manter e também aprovar, seja em que condições for, as perniciosas reformas.

É preciso estar atento também porque nesta hora de grave crise governos ilegítimos e golpistas, como o atual de Temer, fazem o possível e o impossível para se manter e são capazes até de convocar os militares para agirem. É, portanto um momento perigoso que o Brasil atravessa.