Drogas

Movimentos ocupam Secretaria de Direitos Humanos em protesto contra as ações de Doria

Mais de 50 pessoas ocuparam o local contra as ações violentas realizadas na Cracolândia

Rádio Brasil Atual

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Movimentos ocupam Secretaria de Direitos Humanos de São Paulo contra violência na Cracolândia / Agência Brasil

Integrantes de movimentos sociais que atuam na região da Cracolândia garantiram uma reunião com o Secretário de Assistência Social, Felipe Sabará, na quinta-feira (25), após ocuparem a sede da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania. Eles exigem o fim da repressão policial contra os usuários de drogas e a população de rua na região da Nova Luz.

De acordo com as entidades, as pastas da assistência social e dos direitos humanos do governo Dória ainda não se posicionaram oficialmente sobre as violações ocorridas na Cracolândia no dia 21 de maio.

"Para que cesse qualquer tipo de repressão no território da Luz, e pelo fim das demolições que estão acontecendo lá e por notícias das pessoas desaparecidas desde domingo". A militante Regina Pichuru afirma que pessoas desapareceram após a entrada da polícia militar no chamado fluxo. Os movimentos cobram uma resposta da Prefeitura.

"Nós temos notícias que há pessoas desaparecidas desde domingo e ninguém consegue notícias, nem a Secretaria de Segurança, nem o Dória, nem o Alckmin, ninguém responde a pergunta. Tem mães que já bateram em mais de 10 delegacias e não tem notícias. Precisamos encontrar uma resposta". 

Os militantes ocuparam o prédio da Secretaria de Direitos Humanos na tarde da quarta-feira e devem permanecer no local até serem recebidos por Sabará.

Na opinião da professora Dandara, a Cracolândia reflete a falta de políticas públicas voltadas a população de situação de rua e usuários de drogas. 

"Sempre teve a Cracolândia, nunca quiserem invadir para tirar o povo dessa forma. Sempre fizeram reportagem falando apenas do tráfico. Agora me diz, por que o pessoal está na Cracolândia? Por falta de emprego, falta de moradia, falta de assistência psicológica. São vários descasos, várias quesTões. Então chegaram lá e invadiram a Cracolândia, mas lá não tem só drogado, só traficante, tem moradores que não tem para onde ir, tem mães com filhos".

José França, representante do movimento Pop Rua, defende ações mais humanizadas que ofereçam respeito e dignidade para pessoas em situação de rua.

"Após essa invasão está havendo perseguição contra a população de rua. Espalhou o problema da Cracolândia, que antes estrava concentrado em um só local e agora está espalhado, e a população de rua está sendo perseguida".

Cerca de 50 pessoas de nove movimentos diferentes permanecem no auditório da Secretaria de Direitos Humanos. 

Edição: Rádio Brasil Atual