CRISE NO ESTADO

Servidores do Rio de Janeiro passam por necessidades com salários atrasados

Além do atraso dos salários, Pezão quer aumentar o prazo do estado de calamidade pública

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) |
Servidores estaduais do Rio se manifestam para garantir salário em dia
Servidores estaduais do Rio se manifestam para garantir salário em dia - Fernando Frazão/ Agência Brasil

Servidora estadual aposentada, Mariá Casa Nova, 66 anos, trabalhou a maior parte da vida como auxiliar de enfermagem. Mas, diferente do que esperava, depois de mais de 30 anos de serviços prestados, ela não consegue sobreviver da sua aposentadoria. Além do salário ser pouco para cobrir suas contas, Mariá é uma entre tantos servidores aposentados e pensionistas do Rio de Janeiro que estão recebendo os salários parcelados e com grande atraso desde 2016.  

“Vivo sem saber o que vou comer amanhã. Não tenho dinheiro para comprar o básico, que é feijão e arroz. Meu aluguel está atrasado e o condomínio também. Me sinto indigna. Não tenho mais forças para trabalhar como cuidadora de idosos para receber um dinheiro extra. Essa semana vou começar a vender balas no sinal para ter o que comer”, conta emocionada.  

Mariá faz questão de lembrar que não é a única a passar por dificuldades. Na última sexta-feira (12), 208 mil aposentados, pensionistas e outros servidores estaduais receberam os salários de março, com mais de um mês de atraso. Desse total, 40 mil ficaram sem o salário, por um erro do sistema, segundo a Secretaria de Estado de Fazenda e Planejamento (Sefaz).  

“Estamos entregues as baratas. O governo não quer saber do problema que está nos causando, estamos passando sérias dificuldades, muita gente está ficando doente e morrendo. Até hoje não entendi como eles escolhem quem vai receber primeiro. Por que os aposentados e pensionistas ficam por último?”, destaca Mariá.  

Desde que começou a atrasar salários, o governo do estado escolheu pagar em dia apenas os trabalhadores da Educação e do Degase, além de todos os trabalhadores ativos, aposentados e pensionistas das secretarias de Segurança e Administração Penitenciária. Segundo a assessoria de imprensa do governador Pezão, a escolha foi feita para “manter a prestação adequada de serviços à população”. 

Impactos da crise

Com atraso do pagamento, mais de 450 mil servidores deixaram de pagar as contas em dia e também de consumir. Por isso, toda a população está sentindo os impactos da crise, segundo Ary Girota, membro do Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais (Muspe).  

“É um prejuízo para a economia como um todo. Comércios e restaurantes estão fechando e o desemprego aumentando. Esse é um erro do Pezão e também de Temer. Eles querem que a população pague a crise”, comenta.  

Ary ainda afirma que aumentar o prazo do estado de calamidade é uma medida para proteger Pezão do impeachment. “Se deputados da Alerj aprovarem isso, estarão concordando com a corrupção e as manobras políticas do governador. Ele vai continuar a fazer o que quer”, conclui. 

Calamidade

Além do atraso dos salários, Pezão quer aumentar o prazo do estado de calamidade pública. O decreto, de novembro do ano passado, colocava validade até final de 2017. Agora, o governador quer que o prazo passe a valer até final de 2018. Com ele, o governo pode autorizar medidas sem a aprovação dos deputados, como transferir verbas e cortar serviços públicos.   

Edição: Vivian Virissimo