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Venezuela define próximos passos do processo constituinte; oposição chama boicote

Venezuelanos comuns poderão se candidatar para ser deputado constituinte, desde que tenham o apoio de 3% dos eleitores

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela)

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Eleitora em Caracas, durante as eleições regionais de 2008 / Andrés E. Azpúrua/ Flickr

Semana que vem, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), vai disponibilizar em sua página web o formulário para os venezuelanos que queiram se candidatar para concorrer a uma vaga na Assembleia Nacional Constituinte, que está programada para ocorrer em julho próximo.

A reitora presidente do CNE, Tibisay Lucena, explicou que serão eleitos um total de 545 deputados constituintes. Desses, 364 representarão seus municípios, ou seja, cada município venezuelano terá um deputado e as capitais terão dois. 

Os povos indígenas terão oito deputados para representá-los. Os diversos setores sociais e econômicos da Venezuela terão 173 deputados no total.

Depois de inscritos no web site, o pretenso candidato terá que colher assinaturas que correspondam a 3% dos eleitores de seu setor. Esses apoiadores terão que ser eleitores venezuelanos, inscritos no CNE por sua atividade laboral. Por exemplo, um postulante a ser deputado constituinte representando os pescadores, terá que andar com um formulário em busca de outros pescadores que apoiem sua candidatura. 

Oposição

As principais lideranças de oposição não aceitaram o chamado para a Assembleia Nacional Constituinte e dizem que vão boicotá-la. Um dos principais opositores, o governador do Estado Miranda, Henrique Capriles Radonski, chamou o processo de “fraude constitucional” e uma etapa a mais do golpe de Estado que, segundo ele, o chavismo – como são chamados no país os apoiadores do governo Maduro, em referência ao ex-presidente Hugo Chávez, iniciador do processo – continua praticando.

Hoje, sexta-feira (26), a oposição fará outro protesto, o que novamente deve complicar o trânsito e a rotina em Caracas. Um motorista, que trabalha no centro de Caracas afirmou à reportagem que hoje "ninguém mais vai para o leste da capital", referindo-se à região rica de Caracas, onde sempre se iniciam os protestos. 

Desde sábado, quando a reportagem do Brasil de Fato chegou a Caracas, já foram realizadas quatro marchas opositoras, praticamente uma  a cada dois dias. Neste sábado, haverá outra. 

Uma das críticas mais contundentes da oposição ao processo bolivariano era o atraso na definição de eleições estaduais, que deveriam ter ocorrido em dezembro de 2016. 

O governo justifica o atraso no cronograma por conta da violência dos protestos oposicionistas. Mas na última quarta-feira (24), o órgão eleitoral fixou a data das eleições para governadores em 8 de dezembro.

Edição: Vanessa Martina Silva