Vigilância

Por que precisamos defender uma internet livre em um mundo conectado e vigiado

Espionar indiscriminadamente a vida online das pessoas fere a Declaração Universal dos Direitos Humanos

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Manifestantes protestam contra a vigilância em massa em Washington (EUA) logo após Snowden revelar ao mundo práticas da NSA / Elvert Barnes

Quando Edward Snowden, ex-administrador de sistemas da CIA e ex-consultor da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA), revelou, em 2013, a existência de um grande esquema de espionagem global comandado pelo governo dos Estados Unidos, o mundo inteiro teve a confirmação de que realmente estamos sendo observados o tempo inteiro.

Desde então, cada vez mais relatos vêm aparecendo sobre como os governos e suas agências de segurança utilizam vulnerabilidades e brechas ocultas em sistemas ou dispositivos para obter informações de forma indiscriminada.

Como por exemplo o que estamos assistindo, sobre o que e com quem estamos conversando e até a localização exata em que estamos. Há relatos de que até as nossas smart TVs estão escutando as conversas que temos dentro de nossas próprias casas e compartilhando essas informações com parceiros.

E considerando a nossa realidade cada vez mais conectada a sistemas, redes sociais e sempre utilizando aparelhos eletrônicos, as possibilidades de espionagem são infinitas.

Seja navegando ou compartilhando conteúdo pelo Facebook ou Twitter, conversando com amigos e família no WhatsApp, ou pelo simples fato de andar o tempo inteiro com um dos aparelhos mais vulneráveis que existe quando o assunto é privacidade, que é o smartphone, onde diversos aplicativos instalados possuem direito ao controle sobre a câmera, microfone e dados armazenados internamente, autorizados por nós mesmos ao aceitarmos os termos de uso.

Por isso é tão importante defender uma internet livre. Privacidade tem que ser um direito de todos, como se refere o artigo 12 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que diz:

"Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques."

Agora, só precisamos fazer a NSA e seus amigos entenderem isso.

Edição: Anelize Moreira