Bloqueio

Trump anuncia revisão de acordo com Cuba e reforço de embargo econômico

Presidente dos EUA quer restringir viagens e negócios com empresas cubanas controladas pelas Forças Armadas

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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O presidente estadunidense anunciou a medida em Miami, região em que se concentra o maior número de exilados Cubanos / Gage Skidmore

Nesta sexta-feira (16), o presidente estadunidense Donald Trump, do partido republicano, anunciou que vai revisar o acordo entre os EUA e Cuba assinado há 30 meses pelo ex-presidente democrata Barack Obama. Além disso, o republicano vai endurecer o embargo econômico, comercial e financeiro imposto à ilha socialista.

"Eu estou cancelando o acordo completamente unilateral da última administração assinado com Cuba", disse Trump. O anúncio é um recuo nos vínculos bilaterais entre os países. Em setembro de 2016, Obama nomeou o primeiro embaixador do país em Cuba nos últimos 55 anos, resultado do restabelecimento das relações diplomáticas no dia 20 de julho de 2015.

Com Trump, o governo dos EUA vai adotar novas restrições a viagens de americanos para turismo em Cuba e limitar viagens com fins educativos. Embora com Obama algumas viagens ainda permanecessem proibidas, as viagens à ilha aumentaram após a criação de 12 categorias de visitas, de projetos humanitários a atividades culturais.

Trump reafirmou também a política de bloqueio econômico dos Estados Unidos contra o país caribenho, com a proibição de que empresas estadunidense façam negócios com empresas controladas pelas Forças Armadas Revolucionárias de Cuba.

O discurso do republicano foi feito hoje em um comício Manuel Artime Theater, nome de uma das brigadas da fracassada invasão da Baía dos Porcos — episódio que rememora a tentativa frustrada de um grupo paramilitar anticastristas de invadir o sul de Cuba em 1961, após a Revolução Cubana. O teatro fica localizado em Miami, região com a maior concentração de exilados cubanos nos Estados Unidos.

Trump declarou que o regime socialista comandado pelo líder cubano Raúl Castro é de "natureza brutal" e disse que é importante a “liberdade em Cuba e na Venezuela”.

O republicano declarou ainda que o governo vai proteger os "sonhadores" — imigrantes cubanos sem documentos que chegaram nos EUA quando eram crianças. "Com a ajuda de Deus vamos ter uma Cuba livre", afirmou.

As ações anunciadas pelo presidente dos EUA se opõem aos chamados de países que apoiam Cuba na ONU e em outros fóruns internacionais pedindo o fim do embargo à ilha.

Edição: Camila Rodrigues da Silva