Cuba x Estados Unidos

Governos e entidades criticam cancelamento do acordo bilateral entre EUA e Cuba

Medida do presidente Donald Trump é vista como atraso para Cuba e Estados Unidos

São Paulo

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Medida é criticada também por diversas organizações dos Estados Unidos / Esquerda anticapitalista

Em Cuba, nos Estados Unidos e em diversos outros países, políticos e instituições criticaram a atitude do presidente Donald Trump, em cancelar o acordo bilateral entre os Estados Unidos e Cuba.  

Para o governo cubano, “adotar medidas de recrudescimento ao bloqueio significa provocar danos e privações ao povo cubano”, além de constituir um “obstáculo ao desenvolvimento da economia do país e afetar a soberania e os interesses de outros países”.

Em declaração, o governo de Cuba afirma reiterar “a sua vontade de continuar o diálogo respeitoso e a cooperação em temas de interesses mútuos, bem como a negociação dos assuntos bilaterais pendentes com o governo dos Estados Unidos.” 

O documento sugere ainda que o presidente estadunidense, “tomou uma decisão que favorece apenas os interesses políticos de uma minoria extremista de origem cubana que vive no estado da Flórida e que, por motivações mesquinhas, não desiste da pretensão de castigar Cuba e o povo cubano, por exercer o direito legítimo e soberano de ser livre e ter tomado as rédeas de seu próprio destino”. 

Políticos e organizações dos EUA contrários à medida

Diversas organizações e políticos se pronunciaram contra a nova medida de Trump também nos Estados Unidos. 

Logo em seguida do anúncio do presidente, diretamente de Miami – cidade com maior número de cubanos nos Estados Unidos – o senador republicano por Arkansas, John Boozman, considerou a medida um atraso. “Estamos dando um passo para trás e não para frente ao cancelar reformas que haviam beneficiado os cidadãos dos EUA, cubanos e nossa economia”. 

A Câmara de Comércio dos Estados Unidos (CCES) reiterou o compromisso na luta para eliminar “políticas antiquadas” que freiam aos povos estadunidenses e cubanos”. A declaração foi feita pelo vice-presidente executivo e chefe de Assuntos Internacionais da CCES, Myron Brilliant.

O diretor executivo da Human Rights Watch, Kenneth Roth, escreveu, em seu twitter, que “Trump disse que a política de (ex-presidente estadunidense Barack) Obama em Cuba foi um ‘mal negócio’, motivo pelo qual ressuscita um tratado estúpido, uma política que não funcionou por décadas.”

Já Ben Rhodes, que trabalhou no Gabinete Executivo da administração de Barack Obama, qualificou que a atuação de Trump “devolveu as relações entre EUA e Cuba à prisão do passado”. Para Rhodes, a política anunciada equivale a regressar à “mentalidade de Guerra Fria que fracassou tragicamente”.

 A Associação de Educadores Internacionais é da mesma opinião. Para a entidade, que possui mais de 10 mil membros em cerca de 150 países, “voltar a restringir viagens e o comércio com Cuba faz com que os Estados Unidos regresse a uma política falha de isolamento por mais de 50 anos e restringe a nossa capacidade para aprender um com o outro.” E acrescentou que a medida “é um grande retrocesso para as relações internacionais, à Associação e aos aliados dela em Cuba e nos Estados Unidos”. 

Governos e políticos da América Latina lamentam decisão de Trump 

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, convocou os povos da América Latina e do Caribe a manter a união e a solidariedade com Cuba. “Não é possível que em pleno século XXI, Donald Trump diga que vai manter e recrudescer o bloqueio contra o povo de Cuba. Condenamos o bloqueio contra o povo de Cuba”, afirmou. 

O presidente da Bolívia, Evo Morales, criticou duramente  o governo dos EUA, afirmando em seu twitter que  “abuso do poder é não escutar o apoio do mundo inteiro ao desbloqueio a Cuba”. 

Neste sábado (17) Evo continuou defendendo Cuba e twitou que “uma verdadeira democracia do século XXI não isola, não divide o mundo e, sim, advoga por uma cidadania universal por um mundo sem muros”. 



O governo mexicano também demonstrou solidariedade e amizade com o povo cubano. Em um comunicado, o governo mexicano apelou para que “ambos governos encontrem os pontos em comum pela via do diálogo e solucionem, dessa maneira, suas diferenças, em um marco de respeito mútuo e reconhecimento da soberania de ambas as nações”. 

Para o ex-senador e vereador de São Paulo, Eduardo Suplicy, a medida “Contraria inteiramente o bom senso e o espírito de aproximação dos povos as medidas anunciadas por Donald Trump de proibir norte americanos de visitar Cuba e de limitar o comércio com os cubanos. Retrocede no que foi tão bem feito por Barack Obama, com todo apoio do Papa Francisco.”

Promessa de Campanha

Ainda durante sua campanha presidencial, Donald Trump havia anunciado as pretensões de reafirmar o bloqueio econômico, comercial e financeiro que impôs Washington ao país caribenho há 55 anos. E na sexta-feira (16) anunciou o endurecimento das políticas contra Cuba e oficializou a suspensão do último acordo assinado pela administração anterior. 



O ato de Trump contradiz ao pedido de parlamentares republicanos e democratas, empresas, agências de viagem, grupos de cubanoamericanos, analistas políticos e econômicos, entre outros setores, em continuar e expandir a aproximação com Cuba. 



*Com informações de Telesur, Cubadebate e Granma.

Edição: Brasil de Fato