Pernambuco

Editorial | São João é o tempo de olhar para o céu e ver coisas lindas

Na batida do coco, no balanço do baião ou na pisada do xaxado se prepara o chão para a colheita

Brasil de Fato | Recife (PE)

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São João é tempo de encontro, onde os grupos em suas comunidades dançam ao redor da fogueira para se preparar para o período que vem / Jorge Faria PMC / Fotos Públicas

Mal do chão tinham saído os confetes e serpentinas das ruas pernambucanas, que já começava a contagem regressiva para trocá-los pelas bandeirinhas ao céu, com as comidas de milho em tudo que é canto ao som de um bom forró.

As nossas festas de São João já acontecem há muitos anos. Nos registros da história, sempre houve muitas razões para organizar rituais de celebrações neste período do ano. Seja pela fartura na colheita, seja pela fertilidade.

O São João é a cara do povo brasileiro. A comida plantada e colhida, a música, os tecidos, as simpatias. Anuncia a ousadia da nossa classe trabalhadora que sequestra danças nobres de outro continente e traz para o chão de terra do povo o surgimento da nossa quadrilha.

Há, ainda, três sentimentos que permeiam a mística desse período que precisam ser, mais que nunca, fortalecidos para atravessar esse junho de 2017: a solidariedade, a organização e a fé. São João é tempo de encontro, onde os grupos em suas comunidades dançam ao redor da fogueira para se preparar para o período que vem. Aqui as pessoas se reconhecem e se tornam comadres e compadres que já eram e dividem tarefas de construção das palhoças, de produção de comidas e do palco do arrasta-pé. A história do São João de Caruaru, “ o maior do Brasil” é também a história de Sr. Agripino, sua vizinhança, das irmãs Lira quando, nas ruas São Roque ou Três de Maio, tudo começa mostrando mais uma vez que a comunhão festeira faz tudo ser grande por aqui.

Olhar para o céu e ver coisas lindas, como apontava Luiz Gonzaga, está cada vez mais difícil e pesado, mas é no fogo que transforma e dá energia que o povo precisa acreditar que dias melhores virão, e que sua construção será, assim, gestada e construída pelo povo coletivamente.

Na batida do coco, no balanço do baião ou na pisada do xaxado se prepara o chão para o que se quer colher. Outra Greve Geral se anuncia no dia 30 de junho e todos precisam estar renovados das chuvas de São Pedro que vêm para lavar e anunciar novos começos, novas possibilidades. Cada fogueira acesa deve incendiar os corações de esperança e força para não desistir de lutar pela construção de um Projeto Popular para o Brasil. Que cada bandeira junina mantenha as cores e a leveza para que continue acompanhando os que se levantam na defesa dos direitos, da democracia, por um governo que represente o povo e, assim sendo, pelas Diretas Já.

Edição: Redação