Impunidade

Mandante do assassinato da irmã Dorothy está prestes a ser preso no Pará

Regivaldo havia sido condenado a 30 anos em 2010, mas estava em liberdade desde 2012

Brasil da Fato | São Paulo (SP)

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Dorothy Stang lutava pela implantação do Projeto de Desenvolvimento Sustentável, mas o local era disputado por fazendeiros e madeireiros. / Tomaz Silva

O fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, acusado de ser um dos mandantes do assassinato da missionária norte americana Dorothy Stang, ocorrido em 2005, em Anapu, sudeste do Pará, pode ser preso a qualquer momento após o estado do Pará ter recebido um mandado de prisão contra ele nesta quarta-feira (22).

O Supremo Tribunal Federal (STF) negou o Habeas Corpus responsável por manter Regivaldo solto, além de ter revogado o direito do fazendeiro de aguardar em liberdade o andamento do recurso. O Tribunal de Justiça do Pará confirmou o recebimento do mandado de prisão pelas delegacias do estado.

De todos os acusados de participar do crime, quatro pessoas já foram condenadas com penas que chegam a 27 anos de prisão. Regivaldo havia sido condenado a 30 anos em 2010, mas estava em liberdade desde 2012 após receber Habeas Corpus do STF.

O caso Dorothy Stang chamou atenção em 2005, quando a missionária norte americana, conhecida como Irmã Dorothy, foi morta à tiros na cidade de Anapu e teve seu corpo encontrado em uma estrada rural. A região fazia parte do Projeto de Desenvolvimento Sustentável Esperança (PDS) e Dorothy era a principal liderança do movimento, indo contra os interesses dos madeireiros e fazendeiros da região que se diziam ser os donos das terras utilizadas pelo Projeto.

A missionária norte americana Dorothy Stang, conhecida como Irmã Dorothy, foi morta à tiros na cidade de Anapu (PA) no dia 12 de fevereiro de 2005. Dorothy Stang atuou por mais de 30 anos na região, prestando apoio a pequenos produtores agroextrativistas. Na época de seu assassinato, ela lutava pela implantação do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Esperança, há cerca de 40 quilômetros da sede do município. O local, no entanto, era disputado por fazendeiros e madeireiros da região. De acordo com a investigação da Polícia Civil, Vitalmiro e Regivaldo pagaram R$ 50 mil pela sua morte.

Irmã Dorothy vinha denunciando a violência e as ameaças de morte há pelo menos um ano. Em 2004 a religiosa esteve em Brasília, por mais de uma vez, onde ofereceu denúncias ao Ministério da Justiça, à Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, e participou da CPI Mista da Terra, na Câmara Federal. Nada disso adiantou para evitar seu assassinato.

Edição: Luiz Felipe Albuquerque