Chacina

Ainda sob investigação, morte de dez sem-terra em Pau D'Arco (PA) completa um mês

Análises preliminares ajudam a desmontar a tese de confronto usada pelos policiais militares para justificar as mortes

Brasil de Fato | Belém (PA)

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Crime ocorreu em 24 de maio na Fazenda Santa Lúcia, em Pau d'Arco, no sudeste do Pará / Arquivo/Agência Brasil

O assassinato de dez trabalhadores rurais durante ação policial na Fazenda Santa Lúcia, em Pau D’Arco, no Pará, completa um mês neste sábado (24).

Entre os mortos, estava a presidenta da Associação dos Trabalhadores Rurais Nova Vitória, Jane Júlia de Oliveira.

As investigações do crime, ocorrido no dia 24 de maio, estão em andamento, mas análises preliminares já ajudam a desmontar a tese de confronto usada pelos policiais militares para justificar as mortes.

O laudo do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves apontou que não foram encontrados vestígios de impactos de balas nos coletes dos policiais.

Ainda serão feitos os laudos de balística de 53 armas de fogo.

Sobre as investigações, José Batista, advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em Marabá, informa que foram abertos três inquéritos.

“A respeito do processo de investigação existem três procedimentos em curso: um inquérito da polícia civil, que está sob o comando do delegado Roberto Paiva, um procedimento de investigação criminal do Ministério Público, sob a responsabilidade de três promotores da região do Sul do Pará, em Redenção, e o inquérito da Polícia Federal que também está apurando o caso”.

Giodeher Oliveira perdeu sete parentes na chacina. Ela era cunhada de Jane Júlia de Oliveira.

“Eu queria pedir assim que as autoridades maior olhasse com mais atenção, observar bem porque não foi só sete pessoas da nossa família, no caso abalou a família inteira. Porque nós não tivemos o direito de velório, não tivemos direito de nada.”

Durante audiência pública no dia 19 de junho, movimentos populares entregaram a representantes do governo estadual uma carta exigindo a exoneração do secretário de Segurança Pública e Defesa Social, Jeannot Jansen.

Procurada pela reportagem, a secretaria disse que não iria se manifestar.

 

Edição: Camila Maciel