COLÔMBIA

A partir de hoje, FARC deixam de existir como grupo armado na Colômbia

Governo colombiano e o grupo participaram hoje de um ato simbólico que marca o fim do processo de entrega de armas

Plenária da 10ª Conferência das FARC-EP, a última da organização como grupo armado / Mariana Ghirello

Depois de 50 anos de existência, a Colômbia amanheceu nesta terça-feira (27) com seu maior grupo insurgente totalmente desarmado, acontecimento que será celebrado em um ato simbólico em que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo (FARC-EP) deixam de ser um movimento rebelde.

O evento acontecerá em uma das zonas destinadas à transição e à entrega de armas da organização (zonas veredales) no município colombiano de Mesetas, uma das regiões de atuação das FARC. Nele, estarão presentes o presidente da República, Juan Manuel Santos, e o líder das FARC-EP, Timoleón Jiménez, conhecido como Timochenko.

Em uma entrevista ao programa Paz por Lozano - espaço em que se debate o novo pacto social construído na Colômbia -, transmitido pela emissora multiestatal TeleSUR, o membro da fundação "Paz y Reconciliación" (Paz e Reconciliação, em português), Ariel Fernando Ávila, manifestou que o ato desta terça-feira representará um "dia histórico" para a Colômbia.

Ontem (26), a Organização das Nações Unidas (ONU) informou, através de um comunicado, que as FARC completaram a entrega de armas aos representantes da organização na Colômbia.

O chefe da Missão da ONU, Jean Arnault, saudou a direção do movimento insurgente pelo processo de entrega de armas, pelo significado da ação e por cumprir, após mais de um ano, o objetivo traçado pelo Conselho de Segurança.

A cidade de Havana, em Cuba, foi a sede do acordo entre o governo da Colômbia e as FARC sobre o cessar-fogo bilateral e definitivo; as garantias de segurança e de luta contra organizações criminosas, além da entrega de armas.

Hoje, as FARC iniciam sua atuação dentro dos parâmetros de legalidade do Estado colombiano.

O presidente Juan Manuel Santos postou em sua conta no Twitter: "A entrega de armas representa o início de uma nova Colômbia que avança na direção da paz. Agradeço à Missão da ONU na Colômbia pelo apoio e pelo trabalho".

A conta oficial da Presidência da República também escreveu: "Ganhou a razão, ganhou a vida. As FARC encerraram o processo de entrega de armas."

Nas últimas três semanas, o grupo rebelde havia entregue 60% de suas armas à ONU, em duas rodadas. Nesta segunda-feira, feriado na Colômbia, o grupo terminou a entrega dos 40% de armas restantes à organização internacional, processo que durou uma semana.

Edição: Vanessa Martina Silva | Traducción: Luiza Mançano