Procuradoria

Em atitute polêmica, Temer escolhe Raquel Dodge para suceder Janot no comando da PGR

Em abril deste ano, ela chegou a ser criticada pelo atual procurador por tentar "afetar a Lava Jato"

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Subprocuradora da República Raquel Dodge, durante debate com candidatos à PGR / Antonio Cruz/Agência Brasil

A procuradora Raquel Dodge foi escolhida, nesta quarta-feira (28), pelo presidente golpista, Michel Temer (PMDB), para suceder o atual procurador-geral, Rodrigo Janot, cujo mandato termina em setembro.

O nome foi anunciado pelo porta-voz da Presidência da República, Alexandre Parola: "O presidente da República escolheu na noite de hoje a subprocuradora-geral da República, dra. Raquel Elias Dodge para o cargo de procuradora-geral da República. A dra. Raquel Dodge é a primeira mulher a ser nomeada para a Procuradoria Geral da República".

A decisão pode ser encarada como uma tentativa explícita de frear a operação Lava Jato. Isso porque em abril deste ano, ela chegou a ser criticada por Rodrigo Janot por tentar "afetar a Lava Jato" ao propor a limitação do número de procuradores por área no Ministério Público.

Ao nomeá-la, Temer rompe com uma tradição democrática: desde o primeiro governo Lula (PT), o presidente escolhe para o cargo o candidato mais votado entre os colegas do Ministério Público, que enviam ao mandatário uma lista com três nomes, como forma de ampliar a autonomia do procurador-geral. E, quando assumiu a Presidência da República, em maio de 2016, adiantou que escolheria para o cargo o candidato mais votado da lista.

Apesar de não ter sido a mais votada, Dodge era considerada favorita de Temer e também a preferida das lideranças do PMDB.

Além de comandar a PGR, ela será presidenta do Conselho Nacional do Ministério Público até 2019. O mandato pode ser estendido até 2021, caso o futuro presidente da República concorde com a renovação.

(*) com informações de Daniel Giovanaz

Edição: Vanessa Martina Silva