Corrupção

Transcrição de áudio indica que Temer atuou no BNDES em favor da JBS

Presidente golpista teria facilitado interesses da empresa no banco público, após rejeição de reorganização societária

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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De acordo com transcrição da Polícia Federal,Temer teria afirmado que pressionou o banco / Lula Marques/AGPT

A transcrição do áudio da conversa entre Joesley Batista e o presidente golpista, Michel Temer (PMDB), corrobora a informação dada em depoimento recente do empresário, de que o presidente e seu grupo político teriam agido para representar interesses da empresa JBS no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), após rejeição de reorganização societária pelo banco.

O trecho antes inaudível, transcrito por peritos da Polícia Federal, expõe que, logo após Joesley dizer que o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) havia relatado sobre "todo empenho e esforço" sobre "aquela operação" que envolvia o BNDES, Temer teria afirmado: "Sabe que eu fui em janeiro pressionar (ininteligível)".

Em outro trecho, Joesley teria respondido: "Não deu de um jeito, mas deu de outro, tá pronto, deu certo". A conversa se referiria à reorganização societária sugerida pela JBS. A empresa tinha o interesse de transferir sua sede para a Irlanda, o domicílio fiscal para o Reino Unido e os negócios com as ações para a bolsa estadunidense, conforme anúncio feito em maio de 2016. No Brasil, seriam realizadas apenas negociações de recebidos de ações da empresa, chamados de BDRs (Brazilian Depositary Receipts).

O BNDES exerceu direito de veto previsto no acordo de acionistas e se manifestou contra a operação. No dia 26 de outubro, quando a JBS divulgou o fato relevante sobre a posição do banco, suas ações caíram em 11%. A maneira encontrada pela JBS foi listar recibos de ações de uma subsidiária, a JBS Foods International nos Estados Unidos, enquanto mantinha a sede da JBS S.A no Brasil e suas ações na bolsa brasileira B3.

A alternativa foi anunciada publicamente no dia 5 de dezembro, antes da data mencionada por Temer na gravação. Na sequência da conversa, contudo, Temer conta ao empresário que "muito recentemente" teria ouvido a explicação dada pela então presidenta do BNDES, Maria Silva Bastos Marques. "Eu chamei e ela veio me explicar. Daí (inintelígivel). 'Aquele (ininteligível) da JBS, deu para fazer (ininteligível)?', "Nós fizemos de outro jeito que deu certo".

A agenda oficial do presidente aponta que, na manhã do dia 24 de outubro, ele esteve no Rio de Janeiro para a abertura da "Conferência Rio Oil & Gas", no Riocentro. A agenda de Maria Silva menciona uma reunião da executiva com o presidente e o então ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, na mesma data e local.

Edição: Vanessa Martina Silva